Guerra da Coréia

A Guerra da Coréia foi um conflito militar que durou nominalmente de 1950 a 1953, embora nunca tenha acabado com um tratado de paz, meramente uma trégua temporária que vem se estendendo desde então. Esse conflito foi o responsável direto pela divisão da península coreana em dois países distintos: a República Democrática do Povo Coreano, ou Coréia do Norte, e a a República da Coréia, ou Coréia do Sul.

Guerra Fria

Este conflito militar ocorreu no contexto da Guerra Fria, um período de disputas entre Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (socialismo). Veja mais em Guerra Fria.

Antecedentes da Guerra da Coréia

Após mais de 600 anos de independência sob a dinastia Joseon, o Reino (e por um curto tempo, Império) da Coréia foi anexado pelo Japão em 1910, após quase 20 anos de "diplomacia pelo canhão", forçando o Gojong, o último monarca coreano, a assinar diversos tratados que garantiam poder e exclusividade aos comerciantes japoneses atuantes no país, efetivamente colocando a coréia sob domínio econômico japonês.

A Coréia então ficou sob domínio oficial do Império Japonês, por 35 anos, de 1910 a 1935. O governo japonês agiu durante esse tempo do intuito de promover uma assimilação cultural completa do povo coreano, controlando os jornais e a educação, banindo o uso da língua coreana e dos nomes tradicionais, entre outras medidas. Apesar disso, mesmo os que aceitavam ser assimilados ainda eram tratados como cidadãos de segunda classe, e muitas vezes, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial, deportados subitamente para campos de trabalho forçado (no caso masculino), ou para "bordéis militares" para servirem de divertimento aos soldados japoneses (no caso das mulheres). Durante todo o período de domínio japonês, diversas guerrilhas, principalmente as comunistas, lutaram contra a ocupação e assimilação cultural de seu país, dentre elas a guerrilha de Kim Il-Sung, que se tornaria o fundador da Coréia do Norte.

Com a derrota do Japão em 1945, os Estados Unidos e a União Soviética decidiram pela divisão da península coreana em duas áreas de influência, o Norte e o Sul. No Norte os soviéticos apoiaram a tomada de poder pela guerrilha comunista de Kim Il-Sung, e ajudaram o novo governo com materiais e tecnologias. Os Estados Unidos fizeram algo semelhante porém mais direto, instalando Rhee Syngman como um governante fantoche, e uma comissão militar que de fato controlava o país.

Comunismo

Veja quais são os principais conceitos do comunismo e como essas ideias estão relacionadas à Guerra da Coréia. Visite a nossa página sobre o Comunismo.

Tudo parecia em relativo equilíbrio, embora ambos os governantes, no Sul e no Norte, reinvindicassem para si mesmos o governo de uma Coréia unificada. Os Estados Unidos, através de seus conselhos militares, decidiram ajudar o governo sulista nessa empreitada por medo de uma expansão comunista, e forneceram equipamentos e treinamento para que o governo sulista não só se consolidasse, mas também fosse expandido seu território ao norte.

A Guerra

Diante dessa situação, Kim Il-Sung começou a se reunir com as lideranças chinesas e soviéticas de modo a estabelecer um plano para invasão e tomada do sul. Isso era tido como uma opção viável por duas razões principais: a primeira é que, ao contrário de Taiwan e do Japão, a Coréia do Sul não havia sido incluída na zona de proteção militar americana na Ásia, o que sinalizava uma falta de comprometimento militar por parte dos E.U.A; a segunda é que o governo americano não havia reagido militarmente contra a tomada de poder pelo Partido Comunista na China, como os soviéticos previam, e, como a China era um alvo estratégico muito mais importante, o governo soviético previu que os americanos não se envolveriam em um conflito para defender um país insignificante como a Coréia do Sul.

A invasão começou em Junho de 1950, após meses de mobilizações dos exércitos do Norte. Estes eram muito melhor equipados que seus rivais no Sul, graças à ajuda soviética. Combinado ao elemento surpresa, isso resultou num rápido avanço do Norte no território sulista, de modo que, em meados de Setembro desse mesmo ano, praticamente toda a península coreana estava em mãos comunistas, exceto o território ao redor das cidades de Ulsan e Busan, no extremo sul.

O governo americano do Presidente Harry S. Truman, no entanto, decidiu intervir, prevendo que o ataque à Coréia do Sul era uma espécie de teste, e que se os Estados Unidos recuassem, isso resultaria em uma perda de confiança por parte de seus outros aliados, e um incentivo à uma política agressiva por parte da União Soviética.

Assim, o governo americano organizou uma operação militar com dois objetivos, primeiro, defender em caráter emergencial o território de Busan e seus arredores, e segundo, preparar uma ofensiva conjunta aero-naval a partir da invasão do porto de Incheon, nas proximidades de Seul.

O que resultou foi a batalha de Incheon, em que as das Nações Unidas (efetivamente as Forças Armadas Americanas), devido principalmente ao seu amplo suporte naval e aéreo, derrotaram as forças do Norte e começaram uma ofensiva que isolou as forças Norte Coreanas ao sul e cortou, por meio de bombardeios diários, as linhas de suprimento, efetivamente desmontando a logística militar norte-coreana. A ofensiva americana a partir daí foi rápida e fulminante, conquistando quase toda a península em meados de Outubro.

A China então decide intervir, sobretudo em razão do acordo de proteção que os Estados Unidos ofereceram a Taiwan, que abrigava o governo Nacionalista Chinês, derrotado pelos Comunistas na Guerra Civil Chinesa. Após obterem a concordância e o apoio material da União Soviética, o Exército Popular Chinês adentrou a guerra em 25 de Outubro de 1950, com o apoio da Força Aérea Soviética. As forças das Nações Unidas, pegas de surpresa, foram derrotadas em diversas batalhas, e, a despeito de diversas contra-ofensivas americanas, as forças Comunistas chinesas e norte-coreanas tinham reconquistado todo o norte e tomado Seul em 4 de Janeiro de 1951. Em Abril o exército das Nações Unidas reconquistou Seul e suas redondezas, e, de Julho de 1951 a 1953, apesar de tentativas ferozes de ambos os lados, pouquíssimo território foi conquistado, iniciando a fase chamada de "Estagnação".

Armistício e Consequências da Guerra da Coréia

O Armistício veio finalmente com a assinatura de uma trégua em Julho de 1953, que persiste até hoje. Essa trégua no entanto, não estipulava sobre a divisão precisa de territórios, o que só veio em 1954, com o tratado que estabeleceu a Zona Demilitarizada da Coréia, um território que percorre toda a fronteira entre os dois países e se extende 2 km adentro, e que não pertence a nenhum dos governos. A invasão desse território por qualquer um dos dois países é considerada uma imediata declaração de guerra, criando uma "Paz Armada" que persiste até os dias de hoje.

Bibliografia
  • CUNNINGS, Bruce. Korea's Place in the Sun: A Modern History.

Pedro Padovani

História - USP

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