Arcadismo

Também chamado de Neoclassicismo, o Arcadismo nasceu na Itália, entre o século XVII e XVIII, após a decadência do Barroco. O nome “Arcadismo” faz referência à Arcádia, local habitado por pastores e pelo deus Pan. Era o lugar onde os poetas se inspiravam, localizado na Grécia.

História do arcadismo

Desenvolvido em meio às tensões do Antigo Regime, da Revolução Francesa e do Iluminismo, o Arcadismo faz oposição aos conflitos e exageros do Barroco, representando a valorização do ser humano.

Entre os séculos XVII e XVIII o governo dos países europeus era centralizado. Os reis tinham poder absoluto, podiam revogar e fazer leis, controlavam o exército e a economia, esta última dominada pelo mercantilismo, que incentivava a circulação de mercadorias, o comércio marítimo e que colocava toda a riqueza nas mãos dos reis. A Igreja, com a Reforma Protestante, perdeu parte de sua influência sobre os reis e isso os fortaleceu ainda mais.

Este poder absoluto entraria em crise no final do século XVIII: o absolutismo começou a enfraquecer com os ideais do Renascimento e do Iluminismo. A valorização da ciência, da razão e do racionalismo eram as principais bases renascentistas que influenciaram os iluministas. Durante o Iluminismo, desenvolveu-se o pensamento de que o homem deveria pensar por si, seguindo a razão, não obedecendo a um líder ou a Igreja e sim a ele próprio.

Iniciou-se a defesa dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que influenciaram diretamente a Revolução Francesa. A burguesia em ascensão da época, com ânsia de conquistar poder na sociedade, também apoiou a Revolução, a qual deu fim ao absolutismo na França, e que, posteriormente influenciou outros locais a organizarem suas próprias independências.

Características do arcadismo

Nesta época, o ser humano passou a ser mais valorizado em sua essência: era a simplicidade do homem, contra a vida de luxos da nobreza; era a vida natural em oposição à vida urbana, que corrompia o homem. O Arcadismo surge como a arte que representa esta valorização do ser humano e do natural. Era uma arte que expressava as ideias da nova realidade do século XVII.

Com o gosto pela vida simples e pelos campos em oposição à vida nos centros urbanos do Antigo Regime, o arcadismo trazia a ideia de uma vida livre, sem alguém controlando as vontades e pensamentos do ser humano. Segundo o iluminista Jean Jaques Rousseau, a vida livre trazia o homem bom em sua essência, pois este seguia seus próprios princípios e regras. A civilização corrompia o homem, pois ele deixa de seguir seus princípios naturais, agindo de acordo com leis impostas.

A arte buscava representar o natural, a vida nos campos, com a pobreza e o trabalho que valorizavam o homem. Esta vida pobre e campestre, além de valorizar o homem, trazia a felicidade e as realizações pessoais.

A temática dessa literatura era adaptada ao universo pastoril e bucólico dos campos, apresentando coisas cotidianas. Havia também a ideia de viver o momento (carpe diem) como no Barroco. No entanto, diferente deste, o arcadismo não traz esta ideia com pessimismo, pensando na efemeridade da vida e no pecado que é gozá-la. O arcadismo não se preocupa com o pecado, só deseja viver o momento.

Como o arcadismo é uma volta a valores renascentistas, trazendo o homem como centro de tudo, o mundo material e o racionalismo, também encontramos nesta literatura os elementos da cultura clássica grega e o paganismo. A linguagem é simples, adaptada ao homem do campo, e as ideias apresentadas são claras, sem conflitos.

Arcadismo no Brasil

No Brasil, o Arcadismo veio por volta de 1768, em Minas Gerais, através de estudantes brasileiros que voltavam da Europa com ideais iluministas. Os árcades brasileiros tentaram adaptar o arcadismo português ao Brasil, com o índio no posto de homem natural que a civilização corrompeu e a paisagem mineira como o ideal de natureza e paisagem bucólica árcade. Esta adaptação seria explorada mais tarde pelo Romantismo, movimento que buscou definir identidade nacional para a literatura.

Autores árcades brasileiros

Principais autores da literatura árcade no Brasil: Claudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga, Basílio da Gama, Santa Rita Durão.

Exercícios de Arcadismo

(UFViçosas-MG/1999) Sobre o Arcadismo, anotamos:

  1. desenvolvimento do gênero lírico, em que os poetas assumem postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado.
  2. composição do poema "Vila Rica" por Cláudio Manoel da Costa, o Glauceste Satúrnio.
  3. predomínio da tendência mística e religiosa, expressiva da busca do transcendente.
  4. propagação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político, atribuídos a Tomás Antônio Gonzaga.
  5. presença de metáforas da mitologia grega na poesia lírica, divulgando as idéias dos inconfidentes.

Considerando as anotações anteriores, assinale a alternativa correta.

  • Apenas 1 e 3 são verdadeiras.
  • Apenas 2 e 4 são falsas.
  • Apenas 2 e 5 são verdadeiras.
  • Apenas 3 e 5 são falsas. x
  • Todas são verdadeiras.

(UFViçosa-MG/1999) Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. Todas as alternativas estão corretas, exceto:

  • Empreendeu uma minuciosa análise do personagem, revelando-nos claramente os traços de seu corpo e de sua alma. x
  • Vivenciou uma expressiva transformação social, sendo fortemente marcado pelos ideais político-filosóficos do enciclopedismo francês.
  • Confirmou um dos princípios ideológicos do Iluminismo, por uma forte preocupação com a ciência e com o raciocínio.
  • Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Barroco, retomando a simplicidade e o bucolismo dos clássicos.
  • Foi o movimento literário que se desenvolveu no século XVIII, quando o "saber" assumiu uma importância fundamental.

(UEL-PR/2000-Modificado) Assinale as afirmações corretas sobre o Arcadismo no Brasil.

  • As principais manifestações literárias desse período deram-sem em Minas, num momento de revolta nativista em que a literatura e a ação política chegaram a se confundir. x
  • Poeta-pastor, amada-pastora e natureza-amiga são fortes elementos bo bucolismo, convenção poética valorizda nos poemas de Marília de Dirceu. x
  • O barroquismo de Cláudio Manoel da Costa e o ultra-romantismo de Tomás Antônio Gonzaga desviaram interamente esses poetas das convenções arcádicas da poesia da época.
Bibliografia
  • CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Literatura – história & texto – vol 1. 8.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
  • CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira: ensino médio. 2.ed reform. São Paulo: Atual, 2000.
  • SERIACOPI, Gislaine Campos Azevedo; SERIACOPI, Reinaldo. História: volume único. São Paulo: Ática, 2005.

Ana Gabriela Figueiredo Perez

Estudos Literários - Unicamp

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