Revolução Chinesa

A Revolução Chinesa, que durou de 1946 a 1952, foi a fase final da longa Guerra Civil Chinesa, que durou de 1927 a 1952, entre o Kuomintang de Chiang Kai-Shek, que governava o país, e o Partido Comunista Chinês e sua ala paramilitar, o Exército de Liberação Popular, comandados por Mao Tse-Tung.

Antecedentes e Causas da Revolução Chinesa

Apesar das derrotas para a Inglaterra, na Segunda Guerra do Ópio, e para o Japão, Primeira Guerra Sino-Japonesa, a dinastia Qing, no poder no começo na China do começo do sec.XX, continuava forte. O imperador Gangxu tentava diversas reformas para ocidentalizar e modernizar a China e restaurá-la como uma grande potência, mas era frustrado pela de facto governante da China, a imperatriz Tzu-Hsi, que desprezava a influência ocidental. Quando o imperador Xuantong assumiu em 1908 após a morte de Tzu-Hsi, já era tarde, e o país estava a beira da revolta. Esta três anos depois, quando Sun Yat-Sen comandou a Revolução de 1911 e instaurou-se como Premier do partido que fundou, o Kuomintang, em 1912.

Na prática contudo, o governo de Sun Yat-Sen inicialmente controlou apenas uma pequena parte do país, que foi repartido por centenas de senhores locais,, cada um com seu exército, iniciando a chamada "Era dos Senhores da Guerra". O governo Kuomintang foi, de 1912 até a morte de Sun Yat-Sen em 1925 lentamente reconquistando e reunificando o país.

Com a morte de Sun-Yat Sen em 1925, os elementos de esquerda revolucionária do Kuomintang, incluindo o próprio Mao Tse-Tung, buscaram e receberam apoio da União Soviética para empreender uma revolução comunista no país. Chiang Kai-Shek ficou furioso, e acusou a ala comunista de violar os princípios revolução por obedecer às ordens de estrangeiros. Isso causou a secessão do Partido Comunista do resto do Kuomintang, e começou a Guerra Civil Chinesa.

A Revolução

A invasão da China pelo Japão em 1937 pôs um fim temporário à Guerra Civil, enquanto as duas partes se uniam para expulsar o inimigo do solo chinês, e em 1944 começaram negociações de paz para discutir conjuntamente o futuro do país.

Contudo, com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 e a polarização da Guerra Fria, tanto a URSS quanto os Estados Unidos interviram e acabaram causando o colapso das negociações, e a guerra civil continuou a partir de 1946, com o Kuomintang recebendo ajuda financeira e militar norte-americana, e o Partido Comunista dos soviéticos.

Lentamente as forças comunistas começaram a ganhar terreno. O Kuomintang possuía, inicialmente, superioridade númerica e em equipamentos, mas tinham sofrido pesadas baixas na luta contra a dominação japonesa, estava desmoralizado na luta contra seus próprios conterrâneos. Além disso, por seu envolvimento em diversos escândalos, era visto pela população camponesa como uma instituição extremamente corrupta, além de incompetente, pois todas as reformas econômicas que tinha tentando implementar, sobretudo de caráter liberal, tinham sido um fracasso, resultando num país com hiperinflação e a beira de um colapso econômico. Nesse contexto, os Comunistas foram lentamente reduzindo os números do Exército Nacionalista, ala militar do Kuomintang, através de ações de guerrilha sobretudo no norte chinês e na manchúria, e aumentando os seus próprios contingentes, através de uma campanha de recrutamente focada principalmente nos camponeses e no operariado urbano não-qualificado.

Após a tomada de Pequim pelas forças maoístas em 1950, Chiang Kai-Shek acabou fugindo, juntamente com mais de meio milhão de suas tropas restantes, para a ilha de Taiwan, onde proclamou a República da China (ROC), e derrotando sucessivamente as forças comunistas que tentaram tomar a ilha entre 1950 e 1952.

Consequências da Revolução Chinesa

As principais consequências da Revolução Chinesa e da consequente tomada do poder pelo Partido Comunista Chinês foram o fortalecimento do bloco Soviético, as revoluções internas, sobretudo o "Grande Salto à Frente" e a "Revolução Cultural".

Apesar das diferenças ideológicas e políticas posteriores entre a URSS e a RPC (República Popular Chinesa) o fato é que a China contribuiu muito para o fortalecimento da posição soviética e do restante dos países do bloco comunista no mundo, tornando-se ao longo do tempo uma enorme potência econômica e um "escudo" que bloqueava efetivamente a influência política e militar dos Estados Unidos e da O.T.A.N. (Organização do Tratado do Atlântico Norte, bloco militar que reunia os Estados Unidos e as potências européias capitalistas).

Grande Salto à Frente

Já o "Grande Salto à Frente" e a "Revolução Cultural" foram duas das maiores matanças da história da humanidade, superando facilmente o holocausto nazista. A primeira constitiu em uma tentativa de reforma repentina e maciça da economia agrária chinesa, de modo a eliminar a propriedade privata, coletivizar a produção agrícola, e substituir enormes áreas de plantio por pátios industriais. Todos os que resistiam ou protestavam eram acusados de "contra-revolucionários", e assim perseguidos e mortos. Além disso, a industrialização forçada privou grande parte da China de produtos básicos de alimentação, o que também foi muito agravado pelo embargo dos países capitalistas. A perseguição e a fome resulturam em mais de 20 milhões de mortos entre 1958 e 1961, e causou uma grande perda do apoio popular das lideranças do Partido Comunista.

Revolução Cultural

A "Revolução Cultural" foi uma direta conseqüência do desastre do Grande Salto, e da perda de apoio do regime maoísta. Ela foi uma perseguição maciça destinada a tornar o país completamente leal ao líder e livre de elementos subversivos, procurando mudar completamente a cultura chinesa e eliminar "seus elementos capitalistas". Além da destruição de inúmeras relíquias históricas, monastérios e obras de arte, estima-se que os eventos da Revolução Cultural foram responsáveis por mais de 2 milhões de mortes diretas, embora o Partido Comunista Chinês não permita a divulgação de documentos relacionados às perseguições até os dias de hoje.

Bibliografia
  • HUTCHINGS, Graham. Miriam. Modern China: A Guide to a Century of Change.

Pedro Padovani

História - USP

Confira também