Nazismo na Alemanha

A crise alemã e a origem do Nazismo

O Nazismo foi um fenômeno histórico gerado na Alemanha a partir de uma crise que pode ser remontada à época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Apesar de esse país ter se tornado um dos mais importantes Estados industriais da Europa durante o reinado do imperador Guilherme II (1888-1918), tornou-se, depois de quatro anos de intensa conflagração, uma nação enfraquecida e politicamente instável. Isso, principalmente porque o Tratado de Paz de Versalhes - assinado em 1919 entre os países vencedores da batalha - impôs severas restrições à Alemanha derrotada. Ao fazer com que o Estado perdesse grande parte de seu potencial econômico, bem como sua força aérea e 13, 5% de seu território, além do direito de ter mais de 100000 homens em seu exército, esse acordo não só diminuiu o poderio bélico da Alemanha, como também acabou por acender um forte desejo de revanchismo por parte de sua elite militar e de seus grupos dominantes.

Nesse período, instaurou-se no país a República de Weimar, uma república democrática, federativa e parlamentar. Porém, ao não conseguir criar bases sólidas para enfrentar a devastação da Alemanha, esse governo abriu espaço para a emergência de uma oposição nacionalista que ansiava por estabelecer a ordem no país. Com o crescimento do nacionalismo alemão, estava plantada a semente para a ascensão do Partido Nacional-Socialista no país.

Um novo partido e a ascensão nazista

Em tal contexto turbulento, surge, em 1920, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães - Nazi (abreviado do alemão Nationalsozialist), que teria Adolf Hitler como líder. Seguindo pressupostos nacionalistas, autoritários e anti-semitas, esse partido sustentava os propósitos de abolir o Tratado de Versalhes; definir que só poderia ser cidadão aquele que tivesse sangue alemão; excluir os judeus da comunidade alemã; reservar os cargos públicos aos cidadãos; fortalecer a classe média; substituir o Direito romano por um Direito alemão; reformar a escola em um sentido nacionalista; criar um exército popular; limitar a liberdade de imprensa e a artística, dentre outras medidas. Esse partido tinha um programa político que, em meio ao agravamento da crise econômica pela qual passava a Alemanha - piorada ainda mais pela quebra da Bolsa de Nova Iorque (1929) -, representou um caminho direitista e autoritário para o país. Assim, os alemães acabariam rechaçando as propostas comunistas que disputavam o poder.

Em 1923, Hitler já havia tentado tomar o poder através de um golpe de Estado, porém sem êxito. Embora ele tenha sido preso por oito meses, não desiste de seu intento e ganha notoriedade política na Alemanha. Em 1932, o líder nazista sai como candidato à Presidência da República, mas acaba sendo preterido por Hindenburg. Este governante, ao ser pressionado por grupos políticos e nomear Hitler como chanceler1 do Estado, abre caminho para a ascensão do nazismo. Com a morte de Hindenburg em 1934, além de uma série de acontecimentos que já tinham lhe favorecido antes - tais como o incêndio do Reichstag (prédio da cúpula do governo) em 1933, do qual os comunistas foram acusados -, Hitler acaba conseguindo plenos poderes para pôr fim à Constituição de Weimar e implantar a ditadura do Terceiro Reich.

A escalada de Hitler ao poder

Apesar de o contexto político, social e econômico ter favorecido a tomada de poder por Adolf Hitler, seus esforços no sentido de angariar apoio também foram cruciais para o alcance dessa posição dominante. Ao se aliar a personalidades políticas do regime de Weimar, o líder nazista conseguiu amplo poder de intervenção nas esferas administrativa, econômica, social e militar do Estado, estabelecendo uma posição diplomática importante na Europa. Assim, as negociações e pactos políticos foram decisivos para que Hitler se convertesse em Führer (chefe do Estado), haja vista que, como vimos acima, ele foi nomeado chanceler sem precisar de uma eleição ou golpe de Estado, propriamente ditos.

Além disso, alguns historiadores também têm ressaltado a importância do apoio de grande parte da sociedade em relação ao nazismo. Segundo esses estudiosos, muitos alemães teriam endossado o governo de Hitler, sobretudo devido ao receio de uma tomada de poder pelos comunistas.

O consenso alemão em relação à emergência do nazismo também pode ser explicado pelo misticismo através do qual o ditador nazista revestiu sua imagem. Hitler representou-se a si mesmo, através da propaganda nazista, como um redentor do que chamava de “a raça alemã”. O uso de técnicas de persuasão pautadas na exaltação do orgulho nacional de forma emotiva e irracional contribuiu fortemente para o sucesso do chefe totalitário.

A ideologia nazista e a barbárie do holocausto

Resumidamente, pode-se dizer que a ideologia nazista tem como princípios centrais a ideia racista de superioridade da raça ariana, isto é, da existência de uma pura raça alemã; o totalitarismo, regime no qual o indivíduo se subordina ao Estado comandado por um único chefe; e o nacionalismo, que caracterizou a luta por uma Grande Alemanha, vista como espaço vital que deveria reunir todas as comunidades germânicas da Europa. Contudo, o principal instrumento político do Estado nazista era o anti-semitismo. A mentalidade anti-semita já estava arraigada na sociedade alemã antes de Hitler ascender ao poder. Porém, ao se tornar Führer, ele propagou ainda mais a crença de que os judeus representavam uma verdadeira ameaça para os alemães. Ou seja, após o partido Nacional-Socialista alcançar seu domínio sobre o país, o povo judeu transformou-se em bode-expiatório, sendo acusado de todas as desgraças vivenciadas pela Alemanha naquelas últimas décadas.

Em sua obra Mein Kampf (“Minha Luta”), Hitler expõe, explicitamente, as justificativas para o extermínio dos judeus. Para o ditador, somente uma raça pura, sem miscigenações, conseguiria se impor, garantindo a supremacia sobre os demais grupos sociais. Considerados como os principais inimigos do regime nazista, os judeus, desde o início, eram apontados como os responsáveis pela derrota da Alemanha na guerra, pela humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes, pela instabilidade econômica do país e da República de Weimar, etc.

A partir de 1933, os ataques físicos e psicológicos contra os judeus vão se intensificando, até que, em 1935, são instauradas as Leis de Nuremberg, a partir das quais esse povo perde seus direitos civis e o acesso a lugares públicos. Posteriormente, já durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ocorreria o Holocausto, genocídio no qual o regime nazista empreenderia uma ação sistemática de extermínio dos judeus. Cerca de 6 milhões de judeus foram mortos em campos de concentração. Outros grupos, como ciganos e homossexuais, além de comunistas, também foram exterminados. Apesar de sempre terem evitado empregar a palavra “extermínio” como forma de camuflar essa barbárie, os nazistas denominaram este que é um dos maiores crimes da história da humanidade como a “solução final do problema judeu” na Europa.

1: O cargo de chanceler equivalia ao posto de primeiro-ministro, sendo a mais alta posição do poder executivo.

Exercícios de Nazismo na Alemanha

A 1ª Grande Guerra Mundial promoveu profundas alterações na economia, sociedade e mentalidade dos países diretamente envolvidos no conflito, em especial na Alemanha, o que levaria os nazistas ao poder em 1933.

Com relação ao regime nazista alemão desse período, analise as afirmações e assinale as que são verdadeiras.

  • As origens da Alemanha nazista podem ser encontradas na derrota alemã na 1 Grande Guerra Mundial e no sentimento de humilhação nacional proveniente do Tratado de Versalhes. x
  • O estado nazista na Alemanha assumiu um caráter totalitário na medida em que tudo era controlado por esse Estado em um regime unipartidário. x
  • No ideário nazista, estão o racismo e o militarismo. x
  • O nazismo, diferente do fascismo, pregava a aversão aos princípios da ideologia socialista e à igreja católica.

(UNIBERO-SP) Adolf Hitler:

  • publicou o livro "Minha Luta", em 1925, que contém a ideologia política do nazismo; nacionalismo extremado, anti-semitismo e expansionismo territorial são algumas das constantes no livro. x
  • organizou o Partido Nazista após a tomada do poder em 1939, apoiado pelos partidos nacionalistas.
  • inspirou Benito Mussolini na constituição do Partido Fascista e o auxiliou na Marcha sobre Roma, em 1922, e na consolidação do poder do "Duce", em 1924.
  • recebeu o apoio de Francisco Franco e a adesão da Espanha à guerra ao lado da Alemanha para atacar a Inglaterra através de Gilbraltar.

(MACKENZIE) Em seu livro, Mein Kampf (Minha Luta), Adolf Hitler sistematizou os princípios fundamentais da ideologia nazista. Assinale a alternativa que apresenta esses princípios.

  • Repúdio ao Tratado de Versalhes, anti-semitismo, anticomunismo, nacionalismo exacerbado, Estado totalitário, superioridade da raça alemã, necessidade de expansão territorial. x
  • Fim dos Zollverein, nacional-socialismo, superioridade da industria alemã, armamentismo, livre concorrência, intervenções militares em países do Oriente Médio, criação de oficinas nacionais.
  • Internacionalismo proletário, direito à livre determinação dos povos, totalitarismo, não-ingerência em assuntos internos da Tcheco-Eslováquia, fim do acordo da Conferência de Munique, integridade das fronteiras internacionais.
  • Implementação do 'Anschluss' (anexação da Áustria), neutralização da URSS, ódio aos judeus, ruptura do equilíbrio europeu, governo social-revolucionário, oposição ao liberalismo econômico.
  • Plano Schlieffen (atacar primeiro a França e depois a Rússia), defesa do corporativismo, criação da Confederação Germânica, militarismo, todo poder do Estado para o Partido Social-Democrata.

(FGV-SP) "Hitler considerava que a propaganda sempre deveria ser popular, dirigida às massas, desenvolvida de modo a levar em conta um nível de compreensão dos mais baixos. As grandes massas , dizia ele, têm uma capacidade de recepção muito limitada, uma inteligência modesta, uma memória fraca . Por isso mesmo, a propaganda deveria restringir-se a pouquíssimos pontos, repetidos incessantemente...Tudo interessa no jogo da propaganda: mentiras, calúnias; para mentir, que seja grande a mentira, pois assim sendo, nem passará pela cabeça das pessoas ser possível arquitetar uma tão profunda falsificação da verdade ". (Lenharo, Alcir, Nazismo, "o triunfo da vontade". 6ª ed., São Paulo, Ática, 1998, p.47-48.)

A respeito do nazismo é CORRETO afirmar:

  • Não pode ser definido como um regime totalitário, uma vez que a aceitação de sua doutrina foi conseguida pelo convencimento das massas populares, através de uma intensa propaganda.
  • Utilizou-se da propaganda para construir uma imagem grandiosa da Alemanha, para louvar seu líder Adolph Hitler e para estimular a perseguição a grupos considerados perigosos, traidores e inferiores à raça ariana. x
  • Os grandes espetáculos eram espontaneamente organizados pelas massas e contavam com uma diversidade de símbolos e bandeiras representando a pluralidade étnica característica da Alemanha.
  • A celebração procurava interferir na educação da juventude alemã, uma vez que as escolas conseguiram manter-se a salvo das influências nazistas.
  • Apesar da intensa propaganda, o número de parlamentares eleitos pelo partido nazista manteve-se estável na década de 1930, formando uma ruidosa minoria que só chegaria ao poder pelo golpe de Estado de 1933.
Bibliografia
  • CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Holocausto: crime contra a humanidade. São Paulo: Editora Ática, 2002.
  • GELLATELY, Robert. Apoiando Hitler: consentimento e coerção na Alemanha nazista. São Paulo: Editora Record, 2011.
  • RIBEIRO JUNIOR, João. O que é Nazismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.

Larissa Guedes Tokunaga

História - USP

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