Império Bizantino

O Império Bizantino, oficialmente chamado Império Romano do Oriente e mais tarde apenas Império Romano, foi uma entidade político-territorial centrada na cidade de Constantinopla (oficialmente Nova Roma), e que foi a potência dominante da península balcânica e da Ásia Menor (atual Turquia) de 480 até 1453, pouco menos de 1000 anos.

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A Queda do Império Ocidental

Com a queda do imperador Rômulo Augusto em 476, deposto pelo general Odoacro, rei dos Hérulos, o império ocidental efetivamente deixou de existir, e o imperador do oriente, Zeno, declarou-se o único imperador romano. Em 491, os Ostrogodos invadiram a península balcânica pelo norte, liderados pelo rei Teodorico. Anastásio I, o sucessor de Zeno, deu a Teodorico o título de magister militum (governador militar) da Itália, em troca da deposição do usurpador Odoacro. Embora isso tenha significado efetivamente a consolidação de um poder estrangeiro no ocidente, Anastácio efetivamente livrou o império de dois de seus oponentes mais perigosos.

A Reconquista do Ocidente e a Dinastia Heráclia

Após um curto período do reino de Justino, assume seu filho, o imperador Justiniano I, determinado a reconquistar a glória do império romano. Após negociar uma trégua com os Sassânidas, uma dinastia persa, no oriente mediante o pagamento de tributos, Justianiano se concentra no ocidente, e monta uma série de expedições militares durante seu reino, que tem sucesso em reconquistar grande parte do território do finado Império Ocidental, incluindo toda a Itália, a Sicília, Córsega e Sardenha, o sul da Espanha e as Colunas de Hércules (atual Gibraltar), e Cartago e o Norte da África. Ainda defendeu o império com sucesso de diversas incursões de Sérvios, Croatas, Gépidas e Hunos.

Seu sucessor, Justino II, teve menos sucesso. Durante seu reino, os Lombardos invadiram a Itália pelo norte, e ocuparam grande parte de suas terras cultiváveis, a despeito de uma feroz resistência por parte dos exércitos imperiais, que apesar de tudo conseguiram manter os territórios em volta de Roma, Ravenna, Tarento, Régio e a Sicília.

Sob a dinastia seguinte, dos Heráclios, o Império sofreu pesadas derrotas e entrou numa severa decadência, apesar de inovações importantes, como o sistema de Themes, ou províncias semi-independentes, que podiam se defender melhor das constantes incursões inimigas. A emergência de novos povos invasores, principalmente os Ávaros, Búlgaros, Árabes e Bérberes custou caro aos bizantinos. Os primeiros invadiram os Balcãs, conquistando quase todo o território grego que era o coração do Império, sendo impedidos apenas nos arredores de Thessalônica, Atenas e da própria Constantinopla. Os Bérberes conquistaram os territórios fronteiriços de Cartago ao sul, e a maciça ofensiva árabe muçulmana conquistou as províncias do Levante e o Egito.

O império também enfrentou nessa época turbulências religiosas, sobretudo a crise dos Iconoclastas. Por questões de cunho teológico, o imperador Leo I baniu em 730 d.C. toda forma de ícones, imagens e representações religiosas, incluindo estátuas, quadros, pinturas, afrescos e vitrais. Isso causou uma série de revoltas nos centros urbanos imperiais, que duraram quase 100 anos, até a restauração dos ícones, em 843 pela imperatriz Theodora.

A Dinastia Macedônica e o Cisma do Oriente

A Dinastia Macedônica marcou um período de renascimento para o Império Bizantino, que, além de inovações como a revisão da administração de províncias e a fundação de locais de educação avançada, assim como incentivos aos monges copistas, empreendeu ferozes campanhas militares contra os Ávaros, Búlgaros e Árabes, reconquistando a Anatólia oriental, Chipre, Antióquia, a Grécia e Macedônia, a Ilíria e toda a metade sul da Itália, exceto a Sicília.

Contudo, o fim da dinastia, principalmente os reinos de Constantino IX, Michael VI e das imperatrizes Zoe e Theodora, constutuíram um novo período de decadência, dessa vez devido as invasões e migrações dos turcos do Sultanato de Seljuk. Os turcos tomaram toda a Síria e Ásia Menor, exceto a região da Nicomédia, perto de Constantinopla. O império também sofreu uma invasão dos normandos do norte da França, que tomaram a Sicília e o sul da Itália, formando o Reino da Sicília, sob Roger I em 1061.

A Restuauração Comnena e a Quarta Cruzada

O último grande fôlego bizantino veio com a dinastia Comnena, que retomou a ofensiva contra os turcos e contra os Sérvios que ameaçavam a península balcânica pelo noroeste. Essa dinastia reduziu o grande Sultanato de Seljuk a um pequeno reino sem saída para o mar no centro-leste da Anatólia, reconquistando quase toda a Ásia Menor e as cidades de Antióquia e Laodicéia, no Levante, além de Chipre, as colônias do Mar Negro, perdida para os Russos de Kiev, e a Ilíria.

Durante essa dinastia o Império viveu um "Renascimento", com uma enorme produção artística e literária, assim como um crescimento das cidades e do comércio, tanto com o Ocidente quanto com o Oriente. Além disso, foi nesse período que se efetuou a Reforma Comnena, que revolucionou as técnicas militares da época, tornando o exército Bizantino o melhor do mundo, e possibilitando a manutenção de territórios mais longínquos com uma marinha poderosa.

O fim da dinastia Comnena, durante e após o reino do imperador Andrônico Comneno, foi marcado por divisões internas e disputas pela sucessão do trono, o que enfraqueceu as fronteiras do império, o que permitiu perdas no norte dos Balcãs devido à invasões húngaras, apesar sistema eficiente de Themes permitir uma defesa do império na Ásia. Em 1204, cerca de 20 anos após o fim da dinastia Comnena, aconteceu a Quarta Cruzada, que teve efeitos devastadores para o Império.

A Quarta Cruzada, convocada originalmente com o objetivo de conquistar o Egito e de lá partir para a reconquista de Jerusalém, teve uma reviravolta causada pelo chamado "Grande Cisma do Oriente", que foi a cisão da cristandade ocidental em duas igrejas distintas: A Igreja Católica Apostólica Romana, e a Igreja Ortodoxa Romana, mais tarde Igreja Ortodoxa Grega. Em 1054, devido à uma disputa causada pela reivindicação do Papa como representante supremo de Deus, as duas Igrejas excomungaram-se mutuamente. Alexios IV, um imperador bizantino que havia sido deposto, então ofereceu de custear a cruzada e dar uma recompensa em dinheiro ao empobrecido exército cruzado, para que o instalassem no poder. Como resultado, os exércitos cruzados entraram pacificamente no Império, e repentinamente cercaram e atacaram Constantinopla, saqueando-a em 1204.

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Os cruzados então repartiram o Império Bizantino em várias fatias independentes, enquanto bolsões de resistência dos generais e governantes bizantinos formaram também seus próprios reinos. Os reinos cruzados, sob domínio dos príncipes católicos foram o Império Latino, que controlava as regiões de Constantinopla, Adrianopla e Nicomédia, o Reino da Thessalônica, o Ducado de Atenas, o Ducado de Naxos, que controlava as ilhas Cíclades, e o Principado da Aquéia, que controlava o Peloponeso. O norte dos balcãs foi invadido pelos Búlgaros, e generais e príncipes bizantinos fomaram o Império de Trebizonda, no extremo oriente, o Império de Nicéia, que controlava grande parte da Ásia Menor, e o Despotato do Épiro, que controlava a costa ocidental grega. Além disso, os Venezianos também adquiriram diversas possessões, como Creta, Rodes, Chipre e a Eubéia.

Declínio Final e Queda do Império Bizantino

Com o domínio cruzado, chamado Latinokratia ou Frankokratia (Domínio Latino ou Domínio Franco, em alusão a alta proporção de franceses entre os príncipes e duques cruzados), o Império Fragmentado enfraqueceu-se muito, e os domínios da Ásia foram praticamente todos perdidos, exceto o enclave do Império de Trebizonda. A dinastia Palaiologos, do Império de Nicéia, conseguiu reconquistar Constantinopla e Thessalônica nos idos de 1300, mas perdeu seus territórios asiáticos, efetivamente tornando o Império Bizantino um domínio grego (excluindo as ilhas e o Peloponeso, ainda parte dos estados cruzados).

Nos 100 anos seguintes, o Império foi devastado por todos os desastres possíveis, invasões estrangeiras, a peste negra, guerras civis e revoltas autonomistas. Pelos idos de 1400 só sobravam os entornos de Constantinopla, que, ainda que extremamente enfraquecida, era ainda uma cidade extremamente fortificada, várias camadas de muralhas altíssimas. Apesar das Cruzadas organizadas para expulsar os Turcos, esses avançaram inexoravelmente até a conquista de Constantinopla em 1453, data que marca o fim da Idade Média, e o fim do último Império Romano.

Bibliografia
  • HUSSEY, J. M. Cambridge Medieval History vol.IV: The Byzantines.

Pedro Padovani

História - USP

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