Idade do Bronze

A Idade do Bronze foi o período da história humana, segundo a classificação do historiador dinamarquês Thomsen, que se seguiu ao período Neolítico. A Idade do Bronze é marcada por uma diferenciação gigantesca entre os desenvolvimentos de agrupamentos humanos e suas culturas, tendo em comum somente a introdução do bronze como metal, que possibilitou as mais diversas inovações em matérias de instrumentos, armas e outras tecnologias, a domesticação do cavalo e a invenção e difusão da escrita e da roda. Aqui citaremos as principais culturas e seus desenvolvimentos ao redor do globo, excetuando duas das mais importantes, Mesopotâmia e Egito, que podem ser conferidas nas suas respectivas páginas.

O Levante e a Anatólia

Hurritas

O Levante, região atualmente correspondente aos territórios costeiros do Oriente Médio, como Israel, Síria e Palestina, foi uma região de grande ebulição durante a Idade do Bronze, muito influenciada pelas duas grandes culturas que a cercavam, os Sumérios e os Egípcios. Tem-se notícia de diversas cidades muradas e populosas, além de Jericó, como Jerusalém e Hazor. Uma das culturas mais importantes do Levante foram os Hurritas, que tinham uma cerâmica sofisticada, além de templos, uma casta sacerdotal desenvolvida e um panteão de deuses, e eram ótimos metalúrgicos, criando armas de bronze e armaduras de cobre, e fazendo guerras constantes de expansão, com guerreiros montados e em bigas. Além disso, importaram o alfabeto cuneiforme e desenvolveram sua própria linguagem, também chamada de Hurrita.

Hatitas

A Anatólia, território correspondente a atual Turquia, viu o surgimento de uma das culturas mais importantes da época, e o provavelmente o primeiro grande império: O dos Hatitas, antecessores dos Hititas. Os Hatitas falavam o Hático, uma linguagem não Indo-Européia de origem incerta, e usavam uma versão modificada do alfabeto cuneiforme. Possuíam também templos e um panteão de deuses, geralmente associados a elementos da natureza, e acreditavam que todas as coisas possuíam espíritos, e na vida após a morte. Socialmente eram organizados de forma teocrática, com cada cidade tendo como seu líder e governante um sacerdote, tido como encarnação de uma aspecto do divino.

Ásia

Cultura Elamita

Na Ásia Central, a principal cultura a se desenvolver foram os Elamitas, que dominavam um território aproximadamente similar ao do atual Irã. Não se sabe muito sobre esse povo, que deixou poucos vestígios arqueológicos, mas sabe-se que tinham uma religião politeísta organizada, uma língua escrita com uma variação do cuneiforme, também chamada Elamita, de origem incerta; E algumas inscrições indicam que mulheres podiam ocupar postos administrativos e religiosos, e mesmo aprender a ler e escrever, fato digno de nota à época.

Cultura Harappan

No Extremo Oriente destacam-se a cultura do Vale do Indo, ou Harappan, e a primeira dinastia chinesa, a dinastia Xia. A cultura Harappan, da Índia, possuía uma cultura urbanizada e tecnologicamente muito avançada, com cidades planejadas, que contavam com sistemas primitivos de esgoto e saneamento, portos, depósitos de grãos, templos, muralhas e até mesmo banhos públicos. Era uma cultura de sociedade relativamente igualitária, e que desenvolveu um sistema matemático complexo, e possuía jóias e estátuas trabalhadas em metal, e enormes carros de boi para comércio de longa distância. Além disso, inventaram um sistema único de escrita, e uma religião complexa, o Jainismo, que acreditava na não-violência e na reincarnação.

Cultura Xia

Sabemos pouquíssimo sobre a cultura Xia, embora ela tenha dominado um território significativo, equivalente a parte norte da China moderna, a não ser que contavam com um sistema próprio de escrita e linguagem, a chamada “Escrita do Oráculo de Ossos” e que trabalhavam o bronze em diversos utensílios, como jarras, taças e estatuetas. Alguns historiadores até duvidam da existência de uma dinastia Xia propriamente dita, já que sua existência é baseada num único documento, escrito em meados do séc. III a.C.

Europa

A Europa desse período continha 3 culturas principais distintas: A cultura do Túmulo Único, ou cultura da Cerâmica Cordada, que abarcava o noroeste francês, a península ibérica e a britânia, a cultura Baden, na Europa central, e a civilização Minóica, no Egeu.

Cultura do Túmulo Único

A cultura do Túmulo Único (também chamada Cultura da Cerâmica Cordada, ou Cultura do Machado de Batalha) foi uma cultura caracterizada principalmente por essas três características, ou seja, praticamente enterramento em túmulos individuais (prática incomum na época), enterravam seus mortos com machados de batalha, geralmente de bronze, e produziam uma cerâmica sofisticada com decorações em forma de corda trançada. Essa cultura era organizada em torno de pequenas comunidades sedentárias, com grandes grupos pastorais semi-nômades que se deslocavam entre elas. Possuíam uma linguagem obscura, o Proto-Indo-Europeu, da qual não se tem registros escritos.

Cultura Baden

A cultura Baden era bastante semelhante, exceto pelo fato que cremavam seus mortos e possuíam grupos nômades menores, com a maior parte dos indivíduos vivendo em comunidades de agricultura sedentária. A cultura Baden também compartilhava o Proto-Indo-Europeu como linguagem, e foi a primeira cultura européia a utilizar a roda, geralmente em carros de boi, e o boi como animal de tração, principalmente para puxar o arado de bronze.

Civilização Minóica

A cultura Minóica, que espalhou se a partir de seu centro em Creta para outras ilhas do Mar Egeu, foi uma cultura extremamente avançada e complexa. Desenvolveram o arado e a rotação de culturas na agricultura, para melhor aproveitar o solo, e plantavam, além do trigo, da cevada e da ervilha, uvas, olivas, figos e papoula, para extração do ópio. Inventaram também a foice e o cinzel, e construíram palácios e cidades inteiras de pedra e tijolos.

Possuíam fortificações, torres, faróis, exércitos e uma marinha, e comerciavam maritimamente a longuíssimas distâncias, importando artigos de luxo, como o açafrão, e exportando cerâmicas, estátuas, azeite e roupas. Tinham uma religião matriarcal, com sacerdotisas mulheres, dominada pela “Deusa Mãe”, que protegia as casas, as cidades e a colheita. Contavam também com uma linguagem e escrita próprias, derivadas em parte tanto do cuneiforme como dos hieróglifos egípcios.

Bibliografia
  • CHILDE, Gordon V. The Bronze Age.

Pedro Padovani

História - USP

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