Governo de Jânio Quadros

O Governo de Jânio Quadros, que durou de 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto do mesmo ano, foi um governo que se destacou por se posicionar a favor de um Brasil fora do binarismo Estados Unidos/União Soviética que caracterizou a Guerra Fria, e pela tentativa de empreender medidas muitas vezes contrárias aos grandes interesses econômicos.

O Governo

Com seu estilo considerado exibicionista e demagógico (por seus opositores) e seu popular lema de "varre varre vassourinha / varre a bandalheira", Jânio da Silva Quadros teve uma das carreiras políticas mais rápidas da história do Brasil. Num período de menos de 15 anos, exerceu consecutivamente os cargos de vereador, deputado federal e prefeito, todos por São Paulo (este último na capital), antes de ser eleito presidente por larga margem, 2 milhões de um total de 5,6 milhões de votos, no regime de sufrágio facultativo em oposição ao candidato Henrique Lott, do PSD. Na eleição separada para vice-presidente, Milton Santos, o vice de sua chapa, foi derrotado pelo vice de Lott, João Goulart.

O governo de Jânio Quadros foi curto, durando pouco mais de 6 meses, deixando muitos de seus planos e metas somente no plano das idéias. Apesar de ter sido eleito sem "apadrinhamento", uma porção considerável de seu apoio político vinha da UDN, partido de centro-direita aliado aos Estados Unidos e às grandes multinacionais americanas.

Esse apoio político foi sendo progressivamente alienado por medidas polêmicas, sobretudo as que resultaram da PEI, ou Política Externa Independente, idealizada pelo Ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos, e pelo embaixador do Brasil na ONU, Francisco de San Tiago Dantas. A PEI propunha que o Brasil assumisse um papel de potência neutra num mundo geopolitcamente divido pela Guerra Fria, e que mantivesse relações diplomáticas, culturais e econômicas com todas as nações que se dispusessem a fazê-lo. Nisso resultou o reestabelecimento das relações diplomáticas e econômicas com vários países comunistas como a União Soviética, China e Cuba. Da aproximação com esta última resultou um dos episódios mais polêmicos de seu governo, a entrega da mais alta honra do governo brasileiro, a Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul, a Ernesto "Che" Guevara, pela libertação de sacerdotes anti-comunistas condenados ao fuzilamento em Cuba, por pedido especial de Jânio Quadros e do Núncio do Vaticano no Brasil, Armando Lombardi. Esse episódio, assim como as missões à China e à União Soviética, a promulgação de leis antitruste e de cunho protecionista, a proposta de reforma agrária, e a condenação das políticas intervencionistas norte-americanas, como o episódio da Bahia dos Porcos, deram munição à oposição, que acusava Jânio de estar levando o Brasil ao comunismo.

Por outro lado, Jânio também distanciou-se dos elementos de esquerda de seu governo, aliados ao vice João Goulart. Tomou medidas enérgicas para controlar a inflação rompante que surgiu no final do governo de Juscelino Kubitschek, principalmente congelando salários e restringindo fundos de crédito, o que gerou uma reação feroz dos sindicatos, que foram reprimidos. Por fim, alienou também a imprensa, revogando os subsídios governamentais, sobretudo sobre o valor do papel, que afetava sobretudo o lucro das publicações de grande tiragem, como o jornal O Globo, do empresário Roberto Marinho.

Renúncia e Consequências do Governo de Jânio Quadros

No dia 25 de agosto, Jânio Quadros renunciou à presidência da República, sob pressão dos três ministros militares, logo depois de revogar os direitos de exploração da empresa Hanna às jazidas de Minas Gerais, sua última medida. A razão de sua renúncia, a parte das dificuldades que lhe criava a falta de apoio político, é incerta e muito discutida até hoje. Especula-se que Jânio esperava ser reempossado, fortalecido, em ondas de apoio popular, o que não aconteceu. Jânio citou como razão "Forças terríveis" que aliavam contra seu governo, mas nunca chegou a identificá-las.

Uma crise instaurou-se com sua renúncia, pois os militares negavam-se a empossar João Goulart, citado como "principal influência comunista" de seu governo. Contudo, depois da chamada "Campanha da Legalidade", chefiada pelo principal aliado de João Goulart, Leonel Brizola, ele foi empossado em 7 de setembro de 1961, iniciando um período de 3 anos de governo que culminaria no Golpe Militar de 1964.

Exercícios sobre o Governo Jânio Quadros

(MACKENZIE) Foram características do breve governo Jânio Quadros em 1961:

  • a política externa totalmente alinhada aos interesses norte-americanos.
  • a ausência de medidas antinflacionárias, gerando a forte pressão do FMI.
  • o estilo personalista e polêmico do presidente, além da oposição conservadora à política externa independente de seu governo. x
  • a intensa colaboração entre presidente e Congresso nas questões administrativas.
  • a total dependência política do presidente em relação ao seu partido, a UDN.

(MACKENZIE) Com a renúncia de Jânio Quadros, setores militares resolveram impedir a posse do Vice-Presidente João Goulart. O Congresso e vários segmentos sociais, tendo à frente o governador Leonel Brizola do Rio Grande do Sul, desencadearam a mobilização popular e, diante da ameaça de guerra civil, contornou-se a questão com a emenda parlamentarista.

Tais fatos dizem respeito a um importante acontecimento histórico dos anos 60, denominado:

  • Campanha das Diretas Já.
  • Campanha da Legalidade. x
  • Milagre Brasileiro.
  • Abertura Democrática.
  • Queremismo.
Bibliografia
  • CHAIA, Vera. A Liderança Política de Jânio Quadros.

Pedro Padovani

História - USP

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