Reformas Religiosas

Problemas com a Igreja Católica

Desde a Idade Média houveram manifestações contra certas atitudes, dogmas e práticas católicas. Adicionado ao enfraquecimento da unidade da Igreja Católica apostólica Romana com a Cisma do Oriente e a diferença entre o alto e o baixo clero, nasceu uma brecha pela qual humanistas como Erasmo de Roterdã puderam fazer certas criticas sobre a instituição.

Outra grande questão que levaria a certa desmoralização da Igreja Católica eram práticas censuráveis como a simonia, as indulgências e parte do clero corrupto. A partir do século XVI, as críticas a esta instituição ganharam força e reconhecimento através de certos atores históricos que serão tratados a seguir.

Luteranismo

O primeiro e mais conhecido deles foi Martinho Lutero, monge agostiniano e professor universitário. Lutero passa a criticar a venda de indulgencias, o culto a relíquias e santos, entre outras coisas. Ao criticar diretamente uma bula do Papa, afixando 95 teses contrárias a certas praticas católicas na porta de sua igreja, exigiram que ele se retratasse. Após não obedecer tal ordem, passa a escrever livros que serviriam de base para sua nova doutrina, na qual se abolia o uso do latim, parte da administração do sacramento, o culto a Nossa Senhora e aos santos e a autoridade do Papa. Em 1520 é declarado um herético e excomungado. Pelo Edito de Worms (1521), Carlos V baniu Lutero do Sacro Império e ordenou a queima de seus livros. Em 1529, as cidades protestaram contra o Edito e é dessa forma que a religião recebeu o nome de Protestante.

Calvinismo

O Protestantismo, através da livre interpretação da Bíblia, superou as fronteiras germânicas e se espalhou para a Europa. Um de seus teóricos, o francês João Calvino, fugiu para a Suíça após perseguições, onde desenvolveu uma fé com forte base na Predestinação do homem. Sua visão foi bem acolhida pela elite econômica e pela burguesia pois já que a prosperidade econômica era vista como sinal da boa graça de Deus, era possível aceitar o lucro dentro da Ética religiosa. Adaptações de sua visão de fé espalhariam pelo mundo adquirindo diferentes peculiaridades: na Inglaterra (puritanos), na França, na Escócia (Presbiterianos) e nos Países Baixos.

Anglicanismo

Na Inglaterra o rompimento com a Igreja Católica Apostólica Romana viria a acontecer em 1534, onde é formada a Igreja Anglicana. As razões para este rompimento permeiam entre econômicas e políticas. Henrique VIII, monarca inglês, não conseguia conceber um herdeiro masculino com sua esposa. Após ter seu pedido de anulação de casamento rejeitado pelo Papa e graças ao medo de perder a soberania inglesa, acaba por romper com Roma. Sua nova Igreja, tem como líder o rei, além de pregar a salvação pela fé, presença apenas espiritual de cristo e a permissão para o casamento dos sacerdotes.

Contrarreforma (Reforma Católica)

Em reposta a perda de fiéis, a Igreja Católica passa por mudanças e adota uma nova política. Primeiramente, foi declarado que os protestantes são hereges. Em segundo lugar busca-se assegurar a unidade e a disciplina, reafirmando os dogmas católicos, a Inquisição e manteve o latim. As ordens religiosas constituíram um papel importante no ensino e fiscalização da doutrina católica, em especial a Companhia de Jesus (jesuítas).

Consequências das reformas e da contrarreforma

A reforma e a contrarreforma religiosas provocaram conflitos internacionais por toda Europa. Adicionada a outras questões políticas e econômicas levaram a Guerra dos Trinta Anos entre germânicos e franceses. Outro conflito foi à independência dos Países Baixos.

Ao fim, o protestantismo predominou no Sacro Império, Escandinávia, Suíça, Holanda, Escócia e Inglaterra. O catolicismo se manteve na Península Itálica, França, Espanha, Portugal, Áustria e Bélgica.

Bibliografia
  • Salomão, Gilberto Elias. História, livro 2. Sistema de Ensino Poliedro, Editora Poliedro,São José dos Campos, 2011.
  • Ferreira, João Paulo Mesquita Hidalgo e Luiz Estevam de Oliveira Fernandes. Nova História Integrada (Ensino Médio – Volume Único). Companhia da Escola, Campinas, 2005.

Bruna Braga Fontes

História - USP

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