Revolta da Vacina

A chamada "Revolta da Vacina" foi uma insurreição popular ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX. A revolta ocorreu como uma reação popular à campanha da vacinação obrigatória, posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz.

Causas da Revolta da Vacina

A causa principal da Revolta da Vacina foi, sobretudo, o modo como foi implantada a campanha da vacinação obrigatória.

A campanha em si foi idealizada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, que foi empossado Diretor Nacional de Saúde Pública, no Rio de Janeiro, na época capital federal. Isto foi feito a mando do Presidente Rodrigues Alves, como parte de uma série de reformas e projetos de urbanização idealizados pela presidência, entre elas a demolição de cortiços e favelas e de boa parte das construções antigas do centro do Rio, e a criação das brigadas de mata-mosquitos, destinadas a combater as principais doenças epidêmicas transmitidas pelo inseto, como a malária e a febre amarela.

Antes da realização da campanha, as outras reformas do presidente já se mostravam impopulares, pois deslocaram uma parte substancial da população com suas reformas urbanas, e já havia implantado as brigadas mata-mosquito de forma truculenta, entrando à força nas casas se necessário, e frequentemente escoltadas por policiais ou militares.

A revolta começou quando, estando boa parte da cidade em ruínas em razão da demolição dos cortiços e outras construções antigas do centro, e a população revoltada com a maneira que o governo tinha implantado os mata-mosquitos, se anunciou que seriam criadas mais brigadas para promover uma vacinação obrigatória geral, e que essas brigadas tinham autorização para entrar nas casa à força e igualmente a força deter e vacinar quaisquer de seus habitantes, conforme fosse necessário.

A Revolta

No dia seguinte ao dia da aprovação da Lei da Vacina Obrigatória, 5 de novembro de 1904, os que se opunham à vacinação obrigatória se organizaram fundando a Liga Contra a Vacina Obrigatória, para protestar contra as medidas do governo. No dia 10 de novembro, percebendo que o governo pretendia continuar com as mesmas práticas a despeito da revolta da população, estourou a insurreição.

A revolta em si durou apenas 6 dias, do dia 10 de novembro ao dia 16 de novembro. Durante esse período, foram saqueadas lojas e prédios públicos, suas fachadas apedrejadas, bondes queimados, trilhos arrancados, barricadas, tiroteios nas ruas entre a polícia e os manifestantes, o que tornava o aspecto do centro do Rio, já com aparência de canteiro de obras, o de uma praça de guerra. No dia 14 a revolta chegou ao seu ápice, pois receberam o apoio dos militares da Escola de Cadetes da Praia Vermelha, que também se revoltaram. No último dia o governo fingiu ceder pra acalmar a revolta, e suspendeu temporariamente as brigadas de vacinação, ao mesmo tempo que declarou estado de sítio e cercou o Rio de Janeiro de tropas. As tropas adentraram a cidade no dia 17 de novembro, e prenderam a maior parte dos revoltosos, dos quais alguns foram presos e outros deportados para o Acre. Assim que a cidade foi considerada segura, o governo voltou atrás e continuou com a campanha como previsto.

Conclusão

A falta de divulgação da natureza da vacina e seus efeitos benéficos, em conjunto com a truculência das autoridades e do clima de tensão social causado pelas outras reformas pelas quais passava a capital, foram as principais razões pelas quais uma insurreição dessas proporções não pôde ser evitada. Apesar da revolta, a campanha foi um absoluto sucesso em seus objetivos, e dentro de poucos anos a varíola estava completamente erradicada no Rio de Janeiro, momento no qual o programa foi sendo lentamente expandido até a erradicação completa da varíola no Brasil na década de 1970.

Bibliografia
  • SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina.

Pedro Padovani

História - USP

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