Inconfidência Mineira

Durante o século XVIII, aconteceu uma série de revoltas no Brasil que ficaram conhecidas como as Revoltas Separatistas. Tais revoltas eclodiram devido ao fato de que os impostos decretados pela coroa com relação à atividade mineradora (ver Ciclo do Ouro) não acompanhava o ritmo de declínio produtivo que esta se encontrava. Sendo assim, cada vez mais Portugal utilizava o artifício da derrama, ou seja, confiscava os bens dos mineradores visando sanar as dívidas causadas pela mineração. Entre as Revoltas Separatistas, a mais importante foi a Conjuração Mineira, também conhecida como Inconfidência Mineira. Aconteceu na então capitania de Minas Gerais, mais especificamente em Vila Rica, atual Ouro Preto.

Conjuração Mineira

Formada principalmente pela pequena elite da cidade, entre ela intelectuais, fazendeiros, clérigos e setores médios da população, a Inconfidência tinha como objetivo o fim do pacto colonial e da cobrança da derrama, além da implantação de um governo republicano, porém como foi uma revolta de caráter elitista, não propunha o fim do regime escravagista. Vale ressaltar alguns nomes de grande importância nesse processo, entre eles Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Padre Rolim e finalmente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Pode-se dizer que a intenção dos inconfidentes era reestabelecer a autonomia da região mineradora, tão dominada pela coroa portuguesa, porém não havia necessariamente o intento de libertar toda a colônia de tal dominação. Fortemente influenciados pelas ideias iluministas (ver Iluminismo) e pela recém-independência dos Estados Unidos, os inconfidentes chegaram até a produzir uma bandeira para a República que desejavam instalar. Nela, os dizeres "Libertas Quae Sera Tamen" ("liberdade ainda que tardia", verso latino escrito por Virgílio) contornavam um triângulo verde no meio de um retângulo branco. Posteriormente, com o triângulo vermelho, tal bandeira se tornou a bandeira do estado de Minas Gerais.

Coincidentemente, o fim dessa revolta separatista se deu em 1789, mesmo ano que eclodiu a Revolução Francesa. Tal fato se deve ao fato de Joaquim Silvério dos Reis, um dos integrantes do movimento, visando o abatimento de suas dívidas junto com a coroa, denunciou o movimento para as autoridades. Grande parte dos integrantes foi acusada de crime de lesa majestade e teve como punição, segundo decreto de Maria I de Portugal, o degredo para a África. Todavia, Tiradentes, após assumir por completo a chefia do movimento, foi não só executado como esquartejado (em 21 de abril), e teve seus pedaços expostos pela cidade. Tal ato teve uma função pedagógica, afim de que todos soubessem que eventuais atitudes semelhantes seriam punidas daquela maneira.

Bibliografia
  • MAXWELL, Kenneth. "A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira: Brasil-Portugal - 1750-1808". São Paulo: Paz e Terra, 1985.
  • FURTADO, João Pinto. "O manto de Penélope: história, mito e memória da Inconfidente mineira de 1788-9". São Paulo: Cia. Das Letras, 2002.

Marina Thaler Machado

História - USP

Confira também