Guerra dos Emboabas

A chamada "Guerra dos Emboabas" foi um conflito em pequena escala no atual estado de Minas Gerais, que é caracterizado como parte dos denominados "movimentos nativistas". O conflito se deu entre duas partes: Os descobridores originais e primeiros exploradores das minas de ouro e pedras preciosas, os bandeirantes vicentinos, da Capitania de São Vicente, (ver Bandeiras) e as levas posteriores de comerciantes e investidores portugueses (reinóis), interessados na exploração das mesmas, chamados "emboabas".

Causas da Guerra dos Emboabas

As causas da Guerra dos Emboadas são muito simples: De um lado, os bandeirantes vicentinos (também chamados anacrônicamente de paulistas, devido a sua ocupação do território do atual estado de São Paulo), liderados por Manuel de Borba Gato, reclamavam para si o direito de exploração exclusiva dos recursos naturais das Minas Gerais, por terem empreendidos sozinhos as expedições de desbravamento e prospecção, arcando com todos os custos e dificuldades. Do outro lado, atraídos pela "febre do ouro", um grupo heterogêneo de portugueses, vindos sobretudo da Bahia e liderados pro Manuel Nunes Viana, reclamavam para si o direito de participar da exploração desses recursos, por não haver nenhuma espécie de decreto real ou colonial que concedesse esse direito aos vicentinos. Esses últimos foram chamados "emboabas", por uma razão desconhecida. Estudiosos sugerem que o nome possa advir da prática de cobrir as pernas com panos grossos para evitar picadas de animais peçonhentos, dando aos mesmos a aparência de aves deste nome. Outra teoria é que "emboaba" signifique "mão peluda" na língua Tupi, nome comumente atribuído aos reinóis pelos índios da região.

O Conflito

O conflito é relativamente esparso, e começou com o suposto assassinato de um comerciante reinol por um vicentino do arraial da Ponta do Morro, em 1706. Os emboabas reagiram enviando uma solicitação para a vinda de uma comissão de procuradores do Rio de Janeiro para investigar o caso, mas seu pedido não foi atendido. Em 1707, em represália, os emboabas lincharam dois chefes vicentinos, mas com medo de um ataque refugiaram-se na mata. Os vicentinos, receosos de mais conflitos, limitaram-se a enterrá-los. Em 1708, Borba Gato baniu Nunes Viana do arraial do Rio das Mortes, mas não possuía força militar suficiente para fazer valer sua vontade, apesar de conflitos e baixas de ambos os lados. Os emboabas por sua vez empossaram Nunes Viana como governador das Minas Gerais, mais uma afronta ao lado vicentino.

Finalmente, em 1709, os bandeirantes resolveram retirar-se para Parati e São Paulo, após perderem a mais recente escaramuça, no arraial de Cachoeira do Campo, onde haviam construído um forte. Ao parar para beber água contudo, viram um grupo de emboabas armados e resolveram preparar uma emboscada. Os emboabas contudo estavam em número muito maior, e após uma prolongada escaramuça os bandeirantes se renderam, e foram todos eles, mais de trezentos, massacrados no ato por ordem de Bento do Amaral Coutinho.

Consequências da Guerra dos Emboabas

O conflito acabou em definitivo após a intervenção do governador de Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, que, apesar de destituir Manuel Nunes Viana de seu posto como governador, manteve o direito de exploração dos emboabas dos recursos mineiros. A capitania de São Vicente foi então extinta, criando a Capitania de São Paulo e das Minas de Ouro, onde foi regulamentada a divisão dos direitos de exploração do ouro em todos os territórios à Oeste (inclusive os atuais Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás), e estabeleceu-se o imposto português sobre sua extração, o infame Quinto.

Bibliografia
  • MELLO, José Soares de., Os Emboabas.

Pedro Padovani

História - USP

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