Uso da Vírgula

A vírgula é um sinal de pontuação que serve para separar os elementos de um frase ou para indicar uma pausa. A seguir explicaremos as regras de utilização da vírgula e quando ela não deve ser usada.

Regras do uso da vírgula

Separação de palavras de mesma função sintática

Palavras de mesma função sintática são separadas por vírgula se não vierem unidos por e, ou e nem. Estas palavras podem ser sujeito, predicado, adjunto adverbial e adnominal, substantivo, vocativo, aposto, etc. Exemplo:

Comprei livros, revistas, jornais, discos e brinquedos.

Isolamento do aposto

Palavra que explica ou especifica outro termo na oração, o aposto é sempre separado por vírgula. Exemplo:

O resto, os cds, nós colocamos no armário.

Isolamento do vocativo

Palavra usada para nomear a pessoa ou objeto ao qual nos dirigimos, o vocativo também sempre será separado por vírgula. Exemplo:

Ela não te chamou, Mariana.

Isolamento do adjunto adverbial

Adjunto adverbial vem para modificar o sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. Será sempre separado pela vírgula. Exemplo:

Ontem de manhã, ela me ligou.

Isolamento de palavras explicativas ou retificativas

Termos como isto é, ou melhor, ou seja, por exemplo, a saber e sem dúvida serão sempre separados por vírgula. Exemplo:

Aquele papel, isto é, aquele documento, ficou em cima da mesa.

Nesse exemplo temos uma construção diferente: isto é é o termo explicativo, mas temos uma outra separação para aquele documento, aposto de aquele papel.

Isolamento do nome de um lugar que vem antes de data

Campinas, 27 de julho de 2012.

Separação de orações coordenadas

Seja nas coordenadas sindéticas ou nas assindéticas, sempre utilizaremos vírgulas para separação de orações coordenadas se elas não estiverem ligadas pela conjunção e. Exemplo:

Pegou o caderno, abriu-o, fez várias anotações.

Se a conjunção e aparecer, a vírgula só será utilizada quando os sujeitos forem diferentes ou quando a conjunção se repetir. Mesmo assim a vírgula é opcional. Exemplos:

  • Ela não queria ir ao médico e chorava, e gritava, e esperneava.
  • Ela não queria ir ao médico e chorava e gritava e esperneava.

Separação de orações subordinadas

A vírgula será empregada para separar orações subordinadas de orações principais, no entanto, somente alguns tipos de orações subordinadas terão vírgula, como as substantivas apositivas, as adjetivas explicativas e as adverbiais.

Oração subordinada substantiva apostiva

São separadas da oração principal não só por vírgulas, mas também por dois pontos. Exemplo:

Seu grande sonho, de viajar pra fora do país, estava distante.

Oração subordinada adjetiva explicativa

Eu desejo conhecer Paris, que é uma cidade com muitos atrativos.

Oração subordinada adverbial

A vírgula nesta oração é obrigatória se essas orações estiverem intercaladas ou antepostas à oração principal. A única exceção é a adverbial consecutiva. Exemplos:

Como os economistas previram, o dólar subiu.

Se vier após a oração principal, a vírgula é opcional.

  • Ouvia muitas histórias quando era menino.
  • Ouvia muitas histórias, quando era menino.

Não devemos usar a vírgula

Em alguns casos a vírgula é proibida, pois não pode haver a separação que ela propõe.

Sujeito e verbo

Não podemos usar a vírgula para separar o sujetio e o verbo. Exemplo:

Alunos de várias salas participarão do campeonato.

Verbos e seus complementos

Quando estão juntos, não há separação. Exemplo:

Comunicamos aos alunos a decisão do diretor.

Oração subordinada adverbial consecutiva

Orações que trazem consequência não serão separadas por vírgula, mesmo fazendo parte do grupo das subordinadas adverbiais. Exemplo:

A chuva estava tão forte que inundou a rua.

Orações subordinadas substantivas

Com exceção das substantivas adverbiais, adjetivas explicativas e substantiva apositiva, todas as outras orações subordinadas não levam vírgula.

Orações subordinadas adjetivas restritivas

Não levam vírgula, uma vez que este tipo de oração restringe o significado do termo ao qual se refere, impossibilitando a separação de orações. Exemplo:

Os jornais que encontrei no porão são velhos.

Neste caso, a restrição é feita somente aos jornais encontrados no porão: somente estes são velhos.

Exercícios de Vírgula

(CEAP-AP) Na oração: "Aos onze anos, em 1942, seu pai mandou-o para um colégio interno, o Padre Antônio Vieira, em Aracaju.", as vírgulas foram usadas nas expressões destacadas com a seguinte finalidade:

  • realçar duas expressões de mesma função sintática.
  • enfatizar dois elementos de valor explicativo.
  • isolar adjunto adverbial e aposto respectivamente. x
  • reforçar a melodia da frase.
  • separar aposto e vocativo

(UNIG-RJ) "- Aristéia, dá um banho rápido nesse menino..."

Aplica-se com maior acerto a esse texto o seguinte conceito sobre a pontuação (uso da vírgula):

  • isola o sujeito da oração.
  • pôe em realce o substantivo.
  • valoriza o ritmo da frase.
  • indica a pausa de chamamento. x
  • separa o aposto do termo modificado.

(UFPR) Quais são as frases corretamente pontuadas?

  • Os alunos angustiados esperam o resultado dos exames. x
  • Os alunos, angustiados, esperam o resultado dos exames. x
  • Os alunos, esperam angustiados, o resultado dos exames.
  • Angustiados, os alunos esperam o resultado dos exames. x
  • Os alunos, esperam, angustiados, o resultado dos exames.
  • Os alunos esperam angustiados, o resultado dos exames.

(Cesgranrio) Assinale a opção em que a vírgula está empregada para separar dois termos que possuem a mesma função na frase:

  • “Minhas senhoras, seu Mendonça pintou o diabo enquanto viveu.”
  • “Respeitei o engenho do Dr. Magalhães, juiz.”
  • “E fui mostrar ao ilustre hóspede a serraria, o descaroçador e o estábulo.” x
  • “Depois da morte do Mendonça, derrubei a cerca...”
  • “Não obstante essa propaganda, as dificuldades surgiram.”
Bibliografia
  • CEGALLA, Domingos Paschoal. Nova minigramática da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.
  • CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens – vol 3. 5.ed. São Paulo: Atual, 2000.
  • FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. Ed renovada. São Paulo: FTD, 2007.

Ana Gabriela Figueiredo Perez

Estudos Literários - Unicamp

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