Realismo em Portugal

O Realismo em Portugal teve seu início em 1865, uma época em que liberais e representantes da velha monarquia deposta em 1820 travavam várias lutas. Foi um movimento de renovação, uma tentativa de levar Portugal à modernidade, trazendo ao país as ideias filosóficas e científicas que estava em alta na Europa na época.

Questão Coimbrã

Seu marco inicial foi marco a Questão Coimbrã, uma polêmica literária travada em jornais que teve início quando a Geração de 70, um grupo de intelectuais composto por Oliveira Martins, Teófilo Braga, Antero de Quental, entre outros, defensores das novas ideias da época, recebeu uma crítica do árcade Castilho, um importante representante do tradicionalismo.

Após esta crítica, Antero de Quental respondeu em carta aberta com outra crítica, desta vez à censura da livre expressão e do apadrinhamento que Castilho fazia com seus seguidores. Entre 1865 e 1866, então, surgiram diversas publicações de grupos que promoviam ataques, uns defendendo as ideias tradicionais e românticas, outros as realistas e modernas. Era o progresso contra o conservadorismo, o antigo contra o moderno.

Depois dessa primeira polêmica, este grupo de intelectuais começou a organizar conferências em 1870, promovendo debates sobre a renovação cultural e popularizando os ideais de modernização que estavam em alta na Europa e na Ámerica do Norte na época. Estas conferências ficaram conhecidas como Conferências Democráticas do Cassino Lisboense e deu mais força ao movimento realista português. Elas foram censuradas pelo governo português, no entanto, já nesta época, o Realismo era forte e deu origem a várias produções em poesia e prosa.

Características do realismo

Entre as principais características do Realismo português temos: foco em questões sociais e na realidade como ela é, sem distorções, não mais baseada em idealizações desta e opiniões subjetivas sobre esta realidade; descrição de pessoas comuns, com problemas e limitações como todos os seres humanos; foco na vida cotidiana e na denúncia de falsos valores, trazendo uma moral que, possivelmente, é mais eficaz do que a simples condenação de atitudes que existia em movimentos anteriores, uma vez que mostra a origem e as consequências dos valores falidos da época.

Naturalismo

Também é possível ver no Realismo uma tendência mais avançada: o Naturalismo, que foi introduzido por Émile Zola e tem base em ideias científicas da época, transformando o homem em um objeto a ser estudado, fruto da realidade que modifica seu caráter de acordo com o ambiente em que vive e que age condicionado por suas características biológicas, uma vez que é um animal como todos os outros.

Poesia realista

As publicações em poesia realista portuguesa dividem-se em vários tipos: algumas com foco na realidade e na vida cotidiana de diversas camadas sociais (poesia do cotidiano); outras tem foco político, sendo uma poesia engajada, com crítica social e um caráter revolucionário (poesia realista propriamente dita); outras tem foco nos questionamentos sobre vida, morte e Deus (poesia metafísica).

Prosa realista

A prosa realista tem a mesma direção dos diferentes tipos de poesia, fazendo ataques à burguesia, ao clero, aos falsos valores, ao governo, sendo dotada de uma preocupação com a moral real. São exemplos de artistas da época: Antero de Quental, Teófilo Braga, Abel Botelho, Guerra Junqueira e Eça de Queirós.

Bibliografia
  • CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Literatura – história & texto – vol 2. 8.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
  • CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens – vol 2. 5.ed. São Paulo: Atual, 2000.

Ana Gabriela Figueiredo Perez

Estudos Literários - Unicamp

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