Revolução dos Cravos

A chamada "Revolução dos Cravos" (Revolução de 25 de Abril) foi o ato final do P.R.E.C., ou "Processo Revolucionário em Curso", que foi o nome dado à redemocratização de Portugal após quase meio século sob o regime autoritário do Estado Novo idealizado por Antônio de Oliveira Salazar, instituído em 1926.

Antecedentes da Revolução dos Cravos

Antônio de Oliveira Salazar, oficialmente o "Presidente do Conselho de Ministros" em Portugal, foi efetivamente uma autoridade quase absoluta no país durante o período de 1926, chamada a "Revolução Nacional", até 1968, data em que sofreu um derrame, que o deixou parcialmente paralizado e levou à sua morte dois anos depois. Considerando o estado debilitado do líder, assumiu o posto de Primeiro-Ministro Marcello José das Neves Alves Caetano.

Caetano iniciou algumas reformas de bem-estar social, como a reforma do Fundo de Pensão Nacional, a extinção da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), que era efetivamente a polícia política do governo, sendo substituída por uma forma mais branda, o Diretório Geral de Segurança. Concedeu à oposição o direito de participar efetivamente das eleições de 1969, e conduziu uma tentativa de transição política para um regime mais moderado. Contudo, o Presidente Américo Tomás (Salazar efetivamente ocupava ambos os cargos), líder da facção "linha-dura", pressionou Caetano a abrandar suas tentativas de reforma.

Por outro lado, a situação Portuguesa na África não dava sinais de se resolver. Desde meados da década de 1960, as colônias da Guiné, de Angola e de Moçambique conduziam operações de guerrilha e atentados terroristas em vistas de obter a independência. Salazar, determinado à acabar com as esperanças de independência, iniciou guerras de contra-insurgência nas três colônias, que em 1970 já consumiam mais de 40% de toda a receita do Estado Português. Por conseguinte, o esforço deste para pagar os custos da guerra levou à inflação de dois dígitos à partir de 1971, e ao mesmo tempo o governo introduzia novos tributos, notavelmente o Fundo do Ultramar, para financiar a guerra. Em 1972 a guerra foi considerada ganha em Angola, mas estava em pleno curso tanto em Moçambique quanto na Guiné.

A Revolução

Descontentes com a situação das Forças Armadas nas guerras coloniais, foi fundado o Movimento das Forças Armadas, com o objetivo de cessar as guerras de descolonização cedendo às forças de independência, mesmo que ao custo de um golpe de Estado em Portugal. Assim sendo, o Movimento tomou Lisboa de assalto em 1974 e depôs Marcello Caetano, que fugiu para o Brasil e aqui viveu no exílio até sua morte em 1980.

O MFA, então no poder, instituiu o P.R.E.C., "Processo Revolucionário em Curso", uma tentativa de retorno gradual à democracia. Mas o mesmo período marcou a também a volta dos Retornados, cidadãos portugueses que residiam nas colônias, e que fugiram com a descolonização, desembarcando em Portugal mais de 1 milhão de pessoas entre 1974 e 1978. A volta destes causou uma imensa instabilidade social, com uma massa de refugiados sem emprego e incapazes de sustento próprio, e exigindo indenizações e pensões por suas posessões perdidas nas colônias. A maior parte dos Retornados era de direita ou extrema-direita, já que simpatizavam com as tentativas determinadas do Estado Novo de manter as colônias à qualquer custo.

Em 1975, foram organizadas as primeiras eleições livres desde a década de 1920, e foi eleito o Mário Soares, o candidato socialista moderado. Em 25 de Novembro teve fim o período Revolucionário, com uma tentativa de golpe de setores comunistas que foi combatido pela direita e pelos setores pró-democráticos.

Apesar do fardo dos Retornados, sem os custos astronômicos necessários para a manutenção da Guerra do Ultramar a economia portuguesa floresceu, e o poder de compra e a renda per capita dos portugueses aumentou muito. As políticas socialistas proporcionaram o auge do "welfare-state" português.

Exercícios sobre Revolução dos Cravos

(FUVEST) Entre os fatores que permitem associar o contexto histórico de Portugal, na década de 1970, às independências de suas colônias na África, encontram-se

  • o Salazarismo, que dominou Portugal desde a década de 1930, e a intensificação dos laços coloniais com Cabo Verde e Guiné-Bissau, 40 anos depois.
  • a influência política e militar do Pacto de Varsóvia, no norte do continente contra o apartheid nas colônias portuguesas.
  • o não cumprimento, por Portugal, da exigência internacional de que libertasse suas colônias africanas e sua exclusão da Comunidade Européia, no princípio da década de 1970.
  • a Revolução dos Cravos, de 1974, que encerrou o longo período ditatorial português, e a ampliação dos movimentos de libertação nacioal, como os de Angola e Moçambique. x
  • o imediato cessar-fogo estabelecido pelo regime democrático português, implantando em 1974, e o fim dos conflitos internos nas colônias portuguesas da África.

(UNESP) A Revolução dos Cravos aconteceu em Portugal, no dia 25 de abril de 1974. Esse movimento

  • permitiu o restabelecimento do controle político português sobre as colônias africanas, que haviam acabado de conquistar sua independência.
  • instalou uma ditadura militar em Portugal, encerrando cinco décadas de Estado democrático e popular.
  • iniciou o processo de democratização do país, encerrando o longo regime autoritário que marcou parte do século XX português. x
  • impediu a continuidade do processo de modernização da economia portuguesa, implantado ao final da Segunda Guerra Mundial.
  • contestou o ingresso de Portugal na Comunidade Europeia e defendeu a aproximação do país com os países socialistas do Leste Europeu.

Pedro Padovani

História - USP

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