Persas

A Pérsia Antiga foi um conjunto de diferentes culturas e entidades político-territoriais que tinham em comum a ancestralidade de suas classes dominantes, que eram traçadas às tribos do platô iraniano, sua cultura e seus costumes. A Pérsia Antiga teve três fases principais: A fase Aquemênida, a fase Parta, e a fase Sassânida.

A Confederação Meda

A Confederação Meda foi o primeiro grande domínio centro-asiático surgido de uma das tribos do platô iraniano, neste caso os Medas. Pouco se sabe sobre esse período, a não ser alguns dos nomes de seus reis, o fato que eles conquistaram um grande território através de alianças, sobretudo com os Citas, Babilônios e Lídios, e que eles possuíam uma língua única, de mesmo nome. A Confederação durou pouco mais de 100 anos, até ser conquistada pelo exército de outro líder tribal, dessa vez da dinastia Aquemênida, Ciro, o Grande.

O Império Aquemênida

O Império Aquemênida, também chamado Primeiro Império Persa, foi fundado por Ciro em 550 a.C. Nos seus menos de 50 anos de vida, Ciro conquistou, além da Média, a Báctria e a Sogdiana (atuais Afeganistão e Paquistão) à leste, e a Assíria, Babilônia, Armênia, Lídia (atual Turquia) e o Levante, criando o maior império já visto na época. Além disso, Ciro revolucionou a forma de organização e governo, introduzindo o sistema de Satrapias. As Satrapias era unidades governamentais semi-independentes, centradas em três oficiais principais: O Sátrapa, que agia como rei vassalo e governador geral, o "General", comandante dos exércitos e responsável por seu treinamento e equipamento, e um "Secretário de Estado", que registrava todas as contas e medidas do Sátrapa. Para garantir ainda mais a robustez do sistema, Ciro introduziu também um sistema de postos de correio, que levavam mensagens rapidamente até as capitais do império, Susa, Pasárgada, Ecbatana e Persépolis, e o cargo de Inspetor Real, que viajava pelas províncias, aparecendo sem avisar para inspecionar as contas e decretos de cada Satrapia.

O Império Aquemênida também promoveu importantes avanços culturais, como a introdução da religão de Zoroastro, que pregava a existência de duas divindades opostas, Ahura-Mazda e Ahriman, representando o bem e o mal, respectivamente, e que pregava a verdade e o livre-arbítrio como valores mais importantes. Também construiu enormes palácios e cidades muradas, e codificaram várias línguas, tornando-se efetivamente o primeiro império "cosmopolita".

Os sucessores de Ciro buscaram intensamente a expansão do império, já enorme. Conquistaram a Trácia (atual nordeste da Grécia), a Palestina, o Egito, e a região de Mazrun, na Arábia (atuais Omã e Emirados Árabes Unidos). Também tentaram uma invasão da Grécia propriamente dita, o que resultou nas chamadas "Guerras Médicas", que consistiram na única grande derrota do Império até então.

A Conquista de Alexandre

Durante o reinado de Dário III, 220 anos após a fundação do Império Aquemênida, surgiu um novo invasor: Alexandre o Grande, rei da Macedônia. Em duas grandes batalhas, Granicus e Issus, Alexandre varreu os exércitos de Dário do mapa, que fugiu para a Báctria, sua província mais a leste. Na Báctria foi traído por seu sátrapa, Besso, que o capturou e matou, sendo depois vencido por Alexandre, capturado, torturado e morto.

Esses eventos assinalaram o fim do Império Aquemênida e a subjugação temporária das tribos iranianas, que ficaram primeiro sob o domínio de Alexandre, e depois de seu sucessor e general, Seleuco, em 312 a.C. Os sucessores de Seleuco, que governaram o Império Selêucida, mantiveram este último relativamente intacto até 247 a.C., quando as tribos iranianas se uniram sob a dinastia dos Partos, e conquistaram sua independência novamente.

O Império Parto

Durante o período de 247 a.C. a 190 a.C., desde a sua independência, os Partos, considerados pelos Selêucidas apenas uma província revoltosa, viveram em guerra constante com estes últimos. Nem um dos dois lados conseguiu conquistar o outro, até o reino de Antíoco III, também chamado Antíoco o Grande. Este empreendeu uma gigantesca campanha para reconquistar as províncias orientais, na qual teve sucesso, subjugando os Partos e outros povos. Para isso, porém, exauriu seu exército, e ao voltar para seus domínios na Síria foi acossado pelos romanos, e derrotado na batalha de Magnésia em 190 a.C. Os Partos, aproveitando a fraqueza, revoltaram e empreenderam uma campanha de conquista através do Império Selêucida, cavando seu próprio Império Parto. Os reis selêucidas subseqüentes lutaram ferozmente por seus territórios perdidos, além de combaterem os romanos e o Império Egípcio dos Lágidas (outra dinastia de sucessores de Alexandre), mas apesar disso não conseguiram mais do que vitórias temporárias, e acabaram subjugados. Os Partos então herdaram a maior parte de suas terras a partir de 70 a.C., menos a Síria, que ficou em mãos romanas.

Esses eventos deram início ao conflito quase permamente dos dois maiores poderes da época: os Impérios Parto e Romano. De 66 a.C. até 217 d.C., as duas potências entraram constantemente em conflito, uma guerra de quase 300 anos. Quando a destruição do Império Parto veio, não foi graças as romanos, mas à outra dinastia iraniana: os Sassânidas.

O Império Sassânida

O primeiro rei dos Sassânidas, Artaxerxes I, foi um comandante Parto revoltoso, neto do Sátrapa de Persépolis, que conseguiu obter controles de várias das tribos iranianas, e começou a expandir seu próprio império de dentro do Império Parto. Esses eventos se deram numa sucessão relativamente rápida, e pelo reino de Shapur I, na década de 240 d.C., o Império Sassânida já era a maior potência do oriente, retendo todos os territórios Partos e ainda conquistando o noroeste indiano e o Iêmen. Durante o século IV, expandiram-se ainda mais, conquistando boa parte da Síria das mãos dos romanos e o Turquestão, estabelecendo relações comerciais com a China.

Foi durante os reinos de Khosrau I e Khosrau II, no século VI, que o Império Sassânida chegou ao seu ápice. Com os bizantinos enfraquecidos, o Império conquistou toda a Ásia Menor (atual Turquia), o Egito, toda a costa Árabe, o reino de Kartli (atual Geórgia) e expandiu seus domínios na Índia. Foi nesse período também que surgiu o Masdaquismo, que buscou suplantar o Zoroastrismo de maneira semelhante ao Cristianismo em relação ao Judaísmo. O Masdaquismo pregava uma espécie de responsabilidade terrena do estado Sassânida em relação ao seu povo, tentando introduzir uma espécie arcaica de "welfare state", na qual certos benefícios seriam universalmente concedidos em troca do tributo que todos já pagavam ao imperador.

Declínio Final e Queda

O declínio e queda dos Sassânidas foi relativemnte rápido, menos de 30 anos após o seu auge sob Khosrau II. Isso se deveu principalmente a três fatores: A pressão constante dos exércitos bizantinos sob os domínios da Anatólia, a invasão da Geórgia e da Armênia pelas tribos túrquicas dos Cazares, e a expansão árabe-muçulmana do séc. VII. Esses eventos quase simultâneos efetivamente destruíram o exército sassânida, e o Império caiu em 651 a.C., tornando-se o último Império Persa.

Bibliografia
  • YARSHATER, Esan. Cambridge History of Iran: The Achaemenids, Parthians and Sassanids.

Pedro Padovani

História - USP

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