Incas

O Império Inca foi uma entidade político-territorial, correspondente aproximadamente aos territórios atuais do Peru, Chile e Equador, além de partes da Bolívia e da Argentina, composto por um distrito monárquico centralizador, em Cusco, e quatro províncias organizadas como uma federação. O Império Inca durou de 1438 a 1533, quando foi conquistado pelos espanhóis e reorganizado no Vice-Reino do Peru.

Política e Sociedade dos Incas

O que chamamos de Império Inca formou-se a partir da expansão militar do Reino de Cusco, fundado na última década do séc. XII pelo primeiro Sapa Inca, Manco Capac. O Reino de Cusco começou sua expansão efetiva só no séc. XV, sobretudo a partir de 1430 sob o 9º Sapa Inca, Pachacuti, conquistando o Reino de Chimu, a única outra potência militar da região, e dando início ao Império Inca.

O Sapa Inca teoricamente possuía autoridade absoluta, embora possuísse também um conselho de 16 ministros, quatro de Cusco, quatro de cada uma das províncias maiores e dois de cada uma das menores. A função principal do Sapa Inca e da Qoya (a primeira e mais importante das esposas) era presidir sobre ocasiões festivas, sobretudo religiosas (junto a seu segundo em comando, o Alto Sacerdote do Sol, ou Willaq Umu, já que o Sapa Inca era em si divino, por ser descendente do Sol. O governo efetivo era feito pelo conselho de nobres e pelos governadores militares das províncias, ou apu. Os altos cargos do governo Inca eram invariavelmente ocupados por membros da extendida família imperial, ou panaqa. Muitas vezes, os falecidos Sapas Incas também presidiam festivais e reuniões de conselho, representados por seus corpos mumificados ou por pequenas estatuetas feitas de metais e pedras preciosas.

Economia

A economia Inca girava em torno das taxas e do chamado mit'a, ou serviço compulsório. As taxas eram aplicadas uniformemente à toda a camada trabalhadora, sendo pagas diretamente como uma parcela do que era produzido, como uma parte dos alimentos no caso de um agricultor, uma parte das cerâmicas no caso de um ceramista, etc. O mit'a era um serviço que todos os homens adultos e chefes de família eram obrigados a fornecer, e era geralmente empregado na construção de obras públicas, ou na extração de metais e fabricação de armas para o exército, embora ocasionalmente outros serviços menores pudessem ser requisitados com base na necessidade imediata. Esses trabalhadores eram organizados em unidades de 100 homens, e grupos maiores de 1.000, e essa estrutura era rapidamente convertida em uma estrutura militar, mantendo-se os mesmos membros e líderes, em caso de guerra.

Educação

A educação era restrita aos nobres (parentes, ainda que distantes, do atual Sapa Inca ou algum de seus antecessores). Os homens nobres recebiam uma educação obrigatória dos 13 aos 19 anos, fornecida pelos sábios eruditos, uma espécie de corpo de professores renovado a cada geração pelos melhores alunos, onde aprendiam história, filosofia, artes bélicas e o sistema de quipos, ou nós, que os Incas utilizavam para manter estimativas da produção de diversos bens, da quantidade de homens disponíveis para uma campanha militar ou obra pública, etc. Ao final dos 6 anos de educação os nobres eram apresentados ao Sapa Inca, que presidia uma cerimônia em que suas orelhas eram furadas e lhes eram entregues armas ceremoniais, cuja cor dos enfeites denotava sua posição social e hierárquica futura. Já as mulheres nobres recebiam uma educação muito mais restrita, que ensinava o básico da cultura e história incas, e focava-se nas artes domésticas, como a educação das crianças, o corte e a costura e a fabricação da chicha, uma bebida fermentada típica. As mulheres que mais se destacassem eram trazidas diante do Sapa Inca, na esperança de ser escolhidas como esposas secundárias do próprio ou de algum de seus confidentes e altos oficiais.

Religião e Cultura dos Incas

A religião, embora extremamente importante entre os Incas, não era composta de um panteão unificado, mas na realidade de uma série de religiões politeístas diferentes, mas igualmente respeitadas dentro do império. A maioria dessas religiões possuía no entanto, algumas similaridades: todas reconheciam a existência de Viracocha, o primeiro deus e criador, e a mãe-terra, Pachamama (em algumas versões ela seria sua filha, em outras, sua esposa), e seu filho, Inti, o deus-sol e ancestral dos Sapas Incas.

A prática do sacrifício existia também na cultura Inca, embora fosse raro o sacrifício humano, reservado a ocasiões de extrema importância. As práticas religiosas do dia-a-dia se centravam principalmente na figura dos huacas, ou espíritos. Esses espíritos, que podiam variar de pequenos espíritos domésticos a grandes espíritos locais, como montanhas e rios, eram objetos de cerimônias que visavam pedir sua intercessão para curar doenças, garantir colheitas, e mesmo prever o futuro. Importantes também para os Incas eram os três universos e seus animais símbolos, Hanan Pacha, o universo celestial, onde viviam os deuses, simbolizado pelo Condor, Kay Pacha, onde viviam os homens, simbolizados pelo Puma, e Uku Pacha, as entranhas da terra, onde viviam os grandes espíritos ancestrais dos homens, simbolizados pela Serpente.

Como aconteceu com outras populações pré-colombianas, pouco restou dos Incas exceto os hábitos alimentares e certas práticas religiosas sincréticas, como a associação entre a figura maternal cristã, na forma da virgem Maria, e Pachamama. Eles foram dizimados pelos espanhóis nas guerras de conquista, mas mais pelas doenças que trouxeram, como a varíola, do que pelas armas que brandiam.

Bibliografia
  • McEWAN, Gordon Francis. The Incas: New Perspectives.

Pedro Padovani

História - USP

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