Astecas

O Império Asteca foi uma entidade político-territorial, correspondente aproximadamente às porções central e sul do atual México, composto por uma aliança de diferentes etnias, e que durou de 1428 a 1521, quando foi destruído pelos espanhóis e em seu lugar foi fundado o Vice-Reino da Nova Espanha, o efetivo ponto de partida para a colonização européia na América.

Política dos Astecas

O que chamamos de Império Asteca surgiu na verdade como uma aliança entre três cidades, seus territórios e povos: Os Mexicas de Tenochtitlan, os Alohuas de Texcoco e os Tepanecas de Tlacopan. Exceto as três cidades fundadoras e seus territórios imediatos, o resto das terras do Império, adquiridas militarmente, eram administradas de forma tradicional e indireta, ou seja, desde que o tributo você pago periodicamente, muito pouco mudava na estrutura sócio-política dos territórios dominados, e poucos vínculos de natureza não tributária existiam.

A estrutura política do império girava em torno principalmente da cidade de Tenochtitlan, que foi as poucos adquirindo proeminência sobre Texcoco e Tlacopan. Não obstante, o império possuía como seu cargo mais alto o Huetlatoani, que tinha autoridade absoluta em questões de política externa, paz e guerra e tributos. Abaixo dele existiam os Cihuacoatl das três cidades, que possuíam autoridade absoluta nos assuntos internos que não competiam ao Huetlatoani. Dos três Cihuacoatl o de Tenochtitlan tinha proeminência, e era geralmente um parente ou confidente próximo do Hueitlatoani. Finalmente, o Hueitlatoani possuía um conselho de quatro nobres que lhe serviam como conselheiros, e eram também generais e representantes dos corpos militares de elite do Império: os Otomins, os Guerreiros Jaguares, os Raspados e os Guerreiros Águias. Era desse Conselho dos Quatro que provinham os futuros Hueitlatoani.

No nível menor, as três cidades organizavam-se primeiro em Calpulli, ou aglomerados de famílias, que elegiam um representante, ou Calpuleh. Conjuntos de Calpulli formavam um Altepetl, governado por um Tlatoani escolhido pelos Calpulli, que podia interceder junto aos escalões mais altos.

Sociedade dos Astecas

Socialmente, os povos das três cidades e seus territórios eram divididos de acordo com sua linhagem, em nobres e plebeus. Mobilidade entre as duas camadas era praticamente impossível, mas na realidade ambas as camadas possuíam uma hierarquia extremamente complexa de direitos e privilégios, e os "plebeus" das camadas mais altas, como por exemplo grandes comerciantes, tinham tantos ou até mais privilégios que nobres das camadas mais baixas, e a única diferença onipresente entre as duas classes era a obrigação dos plebeus a pagarem tributos, enquanto os nobres eram isentos. Existia ainda o status de escravo na sociedade asteca, embora este fosse muito diferente da escravidão clássica ou colonial européia: O status de escravo não estava confinado a nenhuma população específica, e era pessoal, não hereditário (ou seja, os filhos de um escravo não eram automaticamente escravos) e um escravo podia obter sua liberdade de diversas maneiras, por servições prestados, mediante pagamento, ou mesmo mediante prova de maus-tratos.

A educação era obrigatória nas três cidades entre os 15 e os 20 anos de idade, para todos os membros da sociedade, independente de hierarquia ou gênero. Dois tipos principais de escolas existiam, mutuamente excludentes: A Telpochcalli, que ensinava história, religião, técnicas militares, artesanato e técnicas agrícolas. Eventualmente alguns dos estudantes podiam ser escolhidos para cargos públicos se tivessem destaque, principalmente para o exército, mas a maioria voltava para desempenhar a função dos pais. Já a Calmecac formava especialistas em certas áreas, principalmente médicos, altos sacerdotes, pintores, escultores, oradores e professores. As mulheres, embora recebessem educação obrigatória, podiam ter apenas algumas poucas profissões. A maioria era simplesmente educada nas artes caseiras e nas técnicas de educação dos filhos, e mandada de volta ao lar, mas algumas eram escolhidas para serem "curandeiras" (algo como as obstetras modernas), ou cantoras e recitadoras oficiais, ou mesmo para presidir certos rituais religiosos, funções de alto prestígio.

Religião dos Astecas

A religião era um parte onipresente e indissociável da cultura asteca em geral. Os astecas veneravam um grande panteão de deuses, muitas vezes adotados de outras culturas conquistadas, cada um relacionado à uma época do ano, aspecto da natureza ou ativididade humana, e cada um com seus próprios rituais e observâncias devidas quando um indivíduo ou grupo praticava alguma atividade relacionado ao seu domínio ou representação.

O conceito de sacrifício era central à toda prática religiosa asteca: Aos deuses era oferecido, ou sacrificado, todo o tipo de coisas valiosas tanto ao deus quanto ao devoto: Guerreiros sacrificavam armas ao deus da guerra, agricultores parte de sua produção aos deuses da fertilidade, etc. Talvez a mais polêmica das práticas religiosas astecas fosse o sacrifício humano (embora não fosse exclusivo à eles, e sim parte integrante da maioria das religiões mesoamericanas) para apaziguar o deus do Sol, e evitar sua morte, e, consequentemente, o fim do mundo. Dependendo de diversos fatores, como a qualidade da colheita ou os rumos do Império, o número de sacrifícios humanos poderia ser de dez mil por ano à quase vinte mil por dia em pelo menos uma ocasião.

Cultura dos Astecas

Todas as práticas religiosas eram subordinadas ao sistema de calendários. O ano azteca era dividido em 18 períodos, cada um com aproximadamente 20 dias, e mais um período de 4 dias entre os anos, em que nada se comemorava, chamados "dias vazios".

Pouco restou da estrutura do império asteca após a conquista espanhola, e mesmo sua população foi dizimada por doenças e outras pestes. Não obstante, os hábitos alimentares, sobretudo o consumo intenso do milho e do agave (e seus derivados), e uma certa medida de sincretismo religioso (como o festival do Dia dos Mortos) sobrevivem.

Bibliografia
  • TOWNSHEND, Richard F. The Aztecs.

Pedro Padovani

História - USP

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