Período Joanino

O "Período Joanino" foi o período de 12 anos marcado pela residência da família real portuguesa no Brasil, que exilou-se devido à conquista da península ibérica pelos exércitos de do imperador francês Napoleão. O nome "Período Joanino" foi uma homenagem ao então rei de Portugual, Dom João VI.

Antecedentes

A situação que forçou a vinda da família real portuguesa ao Brasil foi uma consequência das guerras napoleônicas. O principal adversário de Napoleão na europa, o Império Britânico, chefiava uma aliança que incluía os reinos de Portugal e Espanha, que além de lhe fornecerem diversos tipos de mercadoria, ainda serviam de entrepostos comerciais entre a Inglaterra e as partes orientais do continente europeu.

Napoleão decide então colocar em prática sua estratégia do "Bloqueio Continental", que envolvia bloquear totalmente o fluxo comercial do continente para as ilhas britânicas, à força se necessário. Disso resultou a guerra peninsular, onde o general Junot venceu os exércitos da Espanha, e após o tratado de Fontainebleau, conseguiu seu apoio para uma invasão e eventual partilha do território português. Não vendo esperança de vitória militar, a corte real decidiu partir para o Brasil em uma esquadra que partiu em 27 de novembro de 1807, desembarcando em Salvador em 24 de janeiro de 1808.

Consequências para o Brasil

Logo após a chegada da família real em Salvador foi assinado o "Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas", que autorizava o livre comércio das colônias com os países aliados, especialmente a Inglaterra, terminando assim com o Pacto Colonial, que forçava todos os produtos exportados à partir do Brasil a passarem primeiro pelas alfândegas portuguesas. Em fevereiro a esquadra partiu com destino ao Rio de Janeiro, onde chegou em 8 de março. Lá a colônia declarou oficialmente guerra à França, resultando na ocupação da Guiana Francesa no ano seguinte.

Com a transformação da colônia em capital portuguesa, foram fundadas diversas instituições modernas de educação, arte e cultura. Entre elas estão a Impressão Régia, primeira editora do Brasil, a Academia de Belas-Artes, as Escolas de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e o Museu Real. Outras mudanças significativas foram a reorganização das capitanias em províncias, a autorização para a criação de tipografias e jornais, a fundação da Academia Real Militar, e o fomento das indústrias de ferro e de pólvora em Minas Gerais e em São Paulo.

Volta à Portugal

Os exércitos franceses foram gradualmente sendo expulsos de Portugal pelos remanescentes do exército português e por um grande contingente do exército inglês. Sob a justificativa de proteção, instalou-se um governador militar inglês (e de facto regente), o general William Beresford. Em 1817 ocorreu a "Conspiração de Lisboa" um movimento organizado por líderes do exército português e da maçonaria, chefiado pelo general Gomes Freire de Andrade, que visava retomar o governo de Portugal dos ingleses.

Após a repressão violenta do movimento por Beresford, a grande revolta popular causou em 1820 a chamada "Revolução do Porto", que exigiu o retorno da família real portuguesa. Sendo assim toda a corte retorna à Portugal em 1821, deixando somente o herdeiro D. Pedro de Alcântara, que depois se recusou a voltar no que ficou conhecido como "O Dia do Fico", considerado um marco precursor da independência brasileira.

Bibliografia
  • OLIVEIRA LIMA, Manuel de., Dom João VI no Brasil.

Pedro Padovani

História - USP

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