Ambiguidade

Ambiguidade, também conhecida como anfibologia, ocorre quando uma mensagem ganha mais de um significado, o que ocorre devido à disposição inadequada das palavras em uma frase. Alguns casos de ambiguidade podem ser vistos a partir das seguintes situações:

Uso do sujeito após um verbo transitivo direto

Venceu o Brasil a Argentina. (não dá para saber quem venceu, se foi o Brasil ou a Argentina)

Uso dos possessivos em terceira pessoa

Minha irmã foi à casa da amiga em sua bicicleta. (não dá pra saber se a bicicleta é da irmã ou da amiga)

Uso incorreto de algumas comparações

Na década de 70, os jogadores do Vasco não levavam os treinos a sério, como acontecia no Cruzeiro. (não dá pra saber se os jogadores do Vasco não levavam os treinos, igual acontecia no Cruzeiro, ou se eles não levavam os treinos a sério, ao contrário do que acontecia no Cruzeiro)

Uso indevido de preposição "de" entre os substantivos

Onde está a cadela da sua irmã? (aqui, não se sabe se é atribuído um adjetivo pejorativo dado à irmã ou se trata-se de um animal)

Uso dos relativos quando temos um substantivo num adjunto adnominal

Um ladrão roubou o carro do homem que estava perto da árvore. (não dá pra saber se é o carro ou se é o homem que está perto da árvore)

Uso de determinados adjuntos adverbiais entre duas orações

Pessoas que desobedecem as leis de trânsito frequentemente são multadas. (há uma dúvida se as pessoas desobedecem às leis frequentemente ou se elas são multadas com frequência)

Confusão em relação ao que o termo se refere

Júlio conversou com Paulo sentado no muro. (não se sabe quem está sentado no muro)

Uso dos verbos deixar e ficar

João deixou as pessoas felizes (não dá pra saber se João fez as pessoas felizes ou se João saiu de um lugar onde as pessoas estão felizes)

Após o leilão, a empresa francesa ficou com a empresa italiana. (não dá pra saber se a empresa francesa ficou junto da empresa italiana ou se a empresa francesa comprou a italiana)

Exercícios de Ambiguidade

(FUVEST) Assinale a única frase em que a ordem de colocação das palavras NÃO produz ambiguidade.

  • Rossi pede ao STF processo por calúnia contra Motta
  • É só colocar as moedas, girar a manivela e ter a escova já com pasta embalada nas mãos
  • Casal procura filho seqüestrado via Internet.
  • Câmara torna crime porte ilegal de armas x
  • Regressou a Brasília depois de uma cirurgia cardíaca com cerimonial de chefe de Estado.

(ENEM) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete:

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE

A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento.

Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:

  • Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.
  • A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha.
  • Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.
  • A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase.
  • Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase. x

(FCC) A frase em que não há ambiguidade de sentido é:

  • Esse é o tipo de técnico de um time que ninguém deseja que se torne campeão.
  • Ele é o autor do romance que faz enorme sucesso junto ao público feminino.
  • A razão que ela me deu para ingressar em sua associação só me fez desconfiar ainda mais dela.
  • Gostaria que você consultasse sua mãe, antes de ceder sua chácara por ocasião da nossa formatura.
  • Quando ela me entregou a carta, percebi logo que as notícias não deviam ser as mais alvissareiras. x

(Mackenzie)

ERRO DE PORTUGUÊS

Quando o português chegou
debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido o português

(Oswald de Andrade)

Assinale a alternativa correta.

  • Considerando que a oposição VESTIR vs. DESPIR representa a oposição COLONIZADOR vs. COLONIZADO, vemos, no primeiro pólo, a impotência diante do poder.
  • O título apresenta clara e exclusivamente a denúncia da decadência da língua portuguesa, devido a um crescente descuido dos falantes.
  • A ambiguidade do título ajuda a construir o significado de desestabilização de tudo o que é sério, respeitável e cristalizado. x
  • As ações do colonizador e do colonizado relacionam-se a ideias de cerceamento da liberdade; naquelas, a alegria do sol; nestas, a tristeza da chuva.
  • O tom predominante de lamento triste propõe uma recuperação positiva da figura do colonizador português, mal assimilada pelos índios.
Bibliografia

Ana Gabriela Figueiredo Perez

Estudos Literários - Unicamp

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