Trovadorismo

Primeira forma de manifestação literária em Portugal, o Trovadorismo teve início na Alta Idade Média, período em que a Igreja tinha grande poder econômico, político e religioso, controlando as leis, a vida de toda a sociedade e a cultura desta.

O Trovadorismo surgiu em meio à sociedade feudal da época, que submetia todos a uma relação de suserania e vassalagem. Os suseranos eram os senhores feudais que de tinham a posse das terras. Em grande parte, eram membros da alta nobreza. Os vassalos eram os camponeses, explorados e com uma vida miserável.

Como a cultura e o ensino eram restritos aos membros do clero e da nobreza (alta nobreza ou baixa nobreza, a qual não tinha espaço na sociedade feudal), a literatura trovadoresca desenvolveu-se inicialmente em forma de poesia, uma vez que era algo fácil de ser transmitido oralmente pela população.

Essas poesias eram compostas por um trovador, que geralmente era um membro da nobreza, e cantada pelos jograis. Acompanhadas de música e dança, a poesia trovadoresca era chamada de cantiga e desenvolveu-se fora dos locais-comuns de produção cultural da época (mosteiros, conventos).

Inicialmente, as cantigas eram para o público das cortes, retratando o ambiente nobre da época. Elas foram adquirindo proximidade com a camada popular através de cancioneiros, reuniões de poesias que foram feitas para que elas não se perdessem com o tempo. Existiam quatro tipos de cantigas: de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer.

Tipos de cantigas

Cantigas de amor

As cantigas de amor eram uma declaração amorosa de um homem a uma mulher, seguindo os princípios do amor cortês, onde havia uma relação de suserania e vassalagem entre a mulher amada (suserana) e o trovador (vassalo).

As cantigas de amor tinham raízes aristocráticas, uma vez que eram inspiradas na poesia provençal, cantada nas cortes. Nesta poesia existiam algumas convenções em relação ao amor cortês: o eu lírico deveria ser submisso à mulher. Havia uma tentativa de convencimento do amor por parte do trovador, no entanto devia ser uma cantiga que respeitasse a mulher. A musicalidade não era tão forte neste tipo de cantiga.

Cantigas de amigo

As cantigas de amigo estavam relacionadas ao amor também, no entanto era o lamento de uma moça por um rapaz que partiu (para a guerra, geralmente). Apesar do eu-lírico ser feminino, geralmente a poesia era cantada por um homem. Estas cantigas tinham raízes na cultura popular e, portanto, tinham uma forte musicalidade e, diferente das cantigas de amor, não havia uma relação de suserania e vassalagem: era um amor natural, simples.

Cantigas de escárnio e maldizer

As cantigas de escárnio e maldizer estavam ligadas à sátira, sendo uma das primeiras experiências portuguesas neste gênero. A linguagem era vulgar, oposto à lírica das cantigas de amor e de amigo. Não havia tanto apego às convenções e era forte a crítica de costumes da época, com crítica a algumas figuras da sociedade medieval.

A diferença entre elas é encontrada em sua linguagem: apesar de ambas serem vulgares, a cantiga de escárnio não faz uma crítica direta, o satirizado não é revelado e há muita ironia; a cantiga de maldizer faz uma crítica direta, com linguagem obscena.

Prosa

Além da poesia, a literatura trovadoresca deu-se na prosa também, através de novelas de cavalaria. Estas novelas traziam o retrato de um herói com características cristãs que defendia a honra cristã. As novelas de cavalaria não eram tão difundidas entre os populares, uma vez que a poesia era mais facilmente transmitida.

Trovadores

Os principais trovadores foram: Paio Soares de Taveiros, D. Dinis, Martim Garcia de Guilharde, Afonso Sanches, Duarte da Gama, João Zorro, Rui Queimado e Bernardo Bonaval.

Bibliografia
  • CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Literatura – história & texto – vol 1. 8.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
  • CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira: ensino médio. 2.ed reform. São Paulo: Atual, 2000.
  • SERIACOPI, Gislaine Campos Azevedo; SERIACOPI, Reinaldo. História: volume único. São Paulo: Ática, 2005.

Ana Gabriela Figueiredo Perez

Estudos Literários - Unicamp

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