Hebreus

Os chamados "Reinos Hebreus", Israel, Samária e Judá, foram dois reinos que existiram durante a primeira metade do primeiro milênio a.C., e que dominaram a porção centro-sul do Levante durante o período, e que juntos correspondiam aproximadamente ao território do atual estado de Israel.

O Reino Unido de Israel

O Reino Unido de Israel foi a primeira unidade político-territorial unificada das tribos hebraicas, que foi formado no final do séc. X a.C. em resposta à tensa situação geopolítica na área centro-sul do levante. Essas tribos foram unificadas sob a égide do rei Saulo, e seu reino foi caracterizado principalmente pelos constantes conflitos com os reinos próximos, principalmente os Edomitas, Amonitas, Moabitas e Arameus.

Após um breve interlúdio de dois anos envolvendo o rei Ishbaal e uma guerra civil entre as tribos de Israel e Judá, assume o rei Davi, cujo reino foi caracterizado por uma poderosa aliança com o rei de Tiro, uma das maiores cidades Fenícias, que, em troca de algumas terras costeiras ao norte, forneceu vastos suprimentos de ouro, cedro, artesãos, armeiros e construtores de navios, o que contribuiu muito para a vitória do reino de Israel sobre seus rivais na região, e a expansão de seu reino através da conquista de terras de fronteira, além da submissão dos reinos adjacentes de Moab, Edom e Amon, e sua transformação em reinos vassalos através do pagamento de tributos.

Finalmente, após ter encomendado o assassinato de seu irmão mais velho e herdeiro do trono, Adonijah, assume o rei Salomão após a morte de Davi, que, fazendo jus à seu nome, que significa paz, foi um reino longo, pacífico e próspero, graças à renovação tanto da aliança com o rei de Tiro como dos juramentos de vassalagem os reinos adjacentes. Com a morte de Salomão, porém, ocorre uma guerra de sucessão por volta 930 a.C. que acaba dividindo o reino em dois: O Reino de Samária ao norte (que continua se intitulando Reino de Israel, mas acaba sendo conhecido por esse nome para diferenciá-lo do reino unido) e o Reino de Judá, ao sul. Vale notar que nesse processo grande parte do território conquistado durante os reinos de Davi e Salomão e seus reinos vassalos aproveitam a fraqueza dos dois reinos para se tornarem novamente independentes, de modo que a soma dos territórios de ambos os reinos sucessores não se equipara a do "Reino Unido".

O Reino de Samária

O Reino de Samária, ou Reino de Israel, teve uma existência relativamente curta de aproximadamente 200 anos. Durante a primeira metade desse período houve um constante estado de guerra entre Samária e Judá, devido aos direitos de sucessão que reivindicavam o território de Samária para o rei de Judá, que era da casa de Davi, da dinastia antiga dos reis de Israel, enquanto a nova dinastia em Samária não reconhecia essa reivindicação. Contudo, após um casamento dinástico aproximando os dois reinos, iniciou-se uma relação de amizade e cooperação, principalmente no que tange aos conflitos contra as tribos não-hebraicas, como como havia sido nos tempos do Reino Unido.

Contudo, em 732 a.C., o rei Pecá de Israel aliou-se com o reino de Aram num conflito contra Judá, e ameaçou invadir Jerusalém, e o rei de Judá, Ahaz, por sua vez procurou aliar-se ao rei da Assíria, Tiglate-Pileser III, e este, aproveitando a chance de intervir e expandir seu território na região, invadiu o Reino de Samária e o reino de Aram, anexando boa parte do primeiro e todo o segundo. Durante os doze anos subsequentes, que compreenderam o resto do reino de Tiglate-Pileser, o reino de Israel continuou a existir de modo independente com um pequeno território ao redor da capital Samária, mas após sua morte, seu filho Sargão II terminou a anexação de Israel e deportou seus habitantes para várias regiões do império assírio, efetivamente deixando o reino de Judá como único representante dos hebreus.

O Reino de Judá e a Conquista Babilônica

Já o Reino de Judá, continuou existindo semi-independentemente pelos próximos 150 anos. Após a conquista do Reino de Israel pelos Assírios, o Reino de Judá começou a ser pressionado para tornar-se um reino vassalo do Império Assírio, e, mediante a recusa de seu rei Ezequiel, o rei assírio Senaqueribe invadiu Judá, e, embora não conseguisse tomar nenhuma de suas cidades importantes, pois eram todas bem fortificadas, conseguiu que o Rei de Judá lhe pagasse um enorme tributo em ouro e prata, para que retirasse seu exército. Esse evento marcou o que seria uma longa relação de subserviência em relação aos assírios, que periodicamente passaram a coletar tributo de maneiras semelhantes.

Durante o longo reino de Manassé, Judá continuou pagando tributo aos sucessores assírios, Esarhaddon e Assurbanipal, porém mantendo seu governo independente. Com a morte de Manassé e a sucessão de seu filho Josiel, a situação começou a mudar devido a desintegração do império assírio, e o reino de Judá tornou-se efetivamente um campo de batalha entre as forças enfraquecidas dos assírios e os novos exércitos de um recém independente Egito. Apesar da derrota assíria e da subsequente intervenção do faraó egípcio Neco na sucessão, substituindo o herdeiro Joacaz por seu irmão Joaquim, Judá recobrou um grau verdadeiro de independência, sem que o Egito tivesse forças para lhe exigir tributo, devido à sua guerra contra o império neo-babilônico e sem que nenhuma outra potência aproveitasse para intervir.

Finalmente, por volta do fim do reino de Joaquim em 600 a.C., a recusa de Judá em pagar tributo causou uma invasão maciça do agora poderoso império neo-babilônico, comandado por Nabucodonosor II. O rei neo-babilônico cercou as cidades fortificadas de Judá e forçou a capital Jerusalém à rendição, que foi invadida, suas riquezas saqueadas, e a maior parte de sua população nativa escravizada ou deportada, encerrando assim a história dos reinos hebreus, que, apesar de reaparecerem nos séculos seguintes na forma de pequenos reinos vassalos, nunca mais tiveram uma história independente.

Bibliografia
  • COOGAN, Michael D. The Oxford History of the Biblical World.

Pedro Padovani

História - USP

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