Desenvolvimento Sustentável

Durante a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a política norueguesa Gro Harlem Brundtland apresentou um relatório chamado de “Relatório Brundtland” que define o conceito de desenvolvimento sustentável como aquele desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.

Apesar de existir muitas divergências na elaboração desse conceito, trabalharemos com o apresentado por Brundtland na ONU. Essa concepção de desenvolvimento sustentável é fortemente atacada por diversas parcelas da sociedade, principalmente a dos ativistas, que questionam a eficácia desse método.

Os ativistas alegam que o desenvolvimento sustentável em uma economia capitalista é uma utopia, pois a exploração dos recursos naturais é à base de lucro dos capitalistas. Desse modo, quanto mais matéria-prima para produção a disposição do capitalista mais lucro ele tem, logo a sobrevivência do capitalista está diretamente conectada a exploração dos recursos naturais. A solução para esses ativistas está na implementação do eco-socialismo, um sistema moldado para o cuidado e manutenção dos meios naturais.

De qualquer maneira, o conceito de Bruntdtland é o mais aceito perante a população. No ano de 1987, foi lançada uma cartilha para os governistas apresentando algumas metas que deveriam ser cumpridas por esses, que focava no controle populacional, na preservação dos ecossistemas e da biodiversidade presente, na diminuição do consumo de energia e na utilização de tecnologias renováveis.

Após a apresentação da cartilha os investimentos em energia e tecnologias renováveis foram intensificados e certas atitudes atualmente tidas como comuns, foram introduzidas à nossa sociedade. Primeiramente, se tornou consensual que os recursos naturais são finitos e devem ser mais bem preservados. Esse fato alterou o comportamento humano, que assimilou que deve economizar e buscar produzir o menor dano possível à natureza. Segundo, certas atividades como reciclagem do lixo não existiam há dez anos e hoje são comuns, assim como a economia nos banhos e atividades de higiene pessoal.

No ano 2000, apenas 35% do lixo residencial seguiam para aterros, porém em 2008 esse número já ultrapassa os 58%. No inicio da década existiam apenas 451 programas de coleta seletiva, em 2008 eram quase mil. A geração de energia através da luz solar também foi aprimorada e hoje encontra-se presente em diversas residências mundiais. Foi intensificado o controle nas áreas de risco ambiental e nas florestas mundiais, em busca de combater o desmatamento ilegal.

Outras atividades simples que colaboram com o desenvolvimento sustentável e podem ser feitas por qualquer indivíduo são: redução do uso de veículos automotivos, descarte de baterias em lugares especializados, utilização de sacolas de papel (ou ecobags) e preferência pela utilização de biocombustíveis em vez de combustíveis fósseis. Por parte dos governos, destaca-se: incentivo ao transporte coletivo, manutenção dos ecossistemas, valorização dos produtos orgânicos, incentivo a produção de técnicas ecos-sustentáveis e geração de ciclovias, promovendo a utilização de meios não poluentes.

Diversas instituições defensoras da causa ambiental (governamentais e não governamentais) possuem o desenvolvimento sustentável como pauta e hoje defendem enfaticamente essa bandeira, como: a WWF-Brasil, o Instituto Mamirauá, sendo até criada a Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável. Essa pauta também já chegou ao governo que desenvolveu os chamados Centros de Desenvolvimento Sustentável e, em âmbitos estaduais, as Secretárias de Desenvolvimento Sustentável.

O tema é pauta comum nas Conferências Mundiais, estando novamente presente na última Rio +20. Apesar de todas as promessas, vindas dos principais países, nenhuma grande mudança foi feita. Isso se deve a pressão e a sociedade dos países ricos.

As sociedades do hemisfério Norte consomem 10 vezes mais combustíveis fósseis do que as do hemisfério Sul, 200 vezes mais recursos minerais e, embora sejam apenas um quinto da população mundial, detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais, consomem 70% de toda energia produzida no mundo, 75% dos metais e 85% da madeira mundial.

É necessário crescer e se desenvolver, porém não nestes meios, pois dessa forma estamos causando sérios danos ao meio ambiente e as futuras (e cada vez nem tão futuras) gerações.

Bibliografia
  • MATOS, Carlos. Desenvolvimento sustentável nos territórios da globalização: alternativa de sobrevivência ou nova utopia? In: BECKER, Bertha K, MIRANDA, Mariana (orgs). A geografia política do desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: editora UFRJ, 1997.
  • GUIMARÃES, R. P. O Desenvolvimento sustentável: da retórica ã formulação de políticas públicas. In: A Geografia Política do Desenvolvimento Sustentável. Becker, B.K. e Miranda, M (org.). Rio de Janeiro, Ed. UFRJ, 1997, 496 p.
  • WWF Brasil
  • Rio +20
  • Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável

Gustavo Couceiro

Ciências Sociais - Unicamp

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