Modernismo em Portugal

O movimento modernista em Portugal surgiu em 1915, com a publicação da Revista Orpheu, em meio às instabilidades sociais e políticas da República recém-proclamada (1910) e ainda em meio às instabilidades trazidas pelo início da Primeira Guerra Mundial (1914).

Fortemente influenciado pelo Cubismo, Futurismo e Surrealismo, o Modernismo português começou voltado para o individuo, apoiando a ideia de existência individual como fruto do próprio ser humano, não da realidade em que vive. Trazendo oposição aos valores antigos neo-simbolistas e neo-românticos, o movimento modernista em Portugal, assim como no Brasil, teve três momentos decisivos: o primeiro (Orfismo) em 1915, o segundo (Presencismo) em 1927 e o terceiro (Neo-Realismo) em 1940.

Orfismo

O primeiro momento, iniciado em 1915, com a publicação da Revista Orpheu, trazia textos ligados ao cotidiano, estando ligado às instabilidades da época e às vanguardas européias. A revista teve dois números e funcionou para difundir as ideias modernistas, com a finalidade de colocar Portugal à altura da modernidade europeia trazida pelas vanguardas.

Através da poesia irreverente vinha o gosto por “irritar” o burguês da época, quebrando os padrões pré-definidos. Deste período destacam-se: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros.

Presencismo

O segundo momento, iniciado em 1927, com a publicação da Revista Presença, trouxe uma literatura intimista, ligada ao “eu”, sem compromissos com as instabilidades. Apesar da diferença, o segundo momento jamais negou o primeiro. Destacam-se nesta época: Rodrigues Miguéis, Branquinho da Fonseca, José Régio e Irene Lisboa.

Neo-Realismo

O terceiro momento iniciou-se em 1940 e teve influências de modernistas brasileiros para a construção de uma literatura engajada, que fazia uma denuncia social, ficando afastada do subjetivismo e do intimismo do segundo momento, tendo forte relação com o momento histórico (Segunda Guerra Mundial), que pedia este olhar para a sociedade. Destacam-se neste período: Fernando Namora, Vergílio Ferreira, Manuel da Fonseca.

Exercícios de Modernismo em Portugal

(UFAM/2005) Leia o texto abaixo, referente a uma “receita” para se fazer um poema:

Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Essa “teoria poética”, que tende para o mais completo anarquismo, é uma plataforma do:

  • Futurismo
  • Expressionismo
  • Dadaísmo x
  • Surrealismo
  • Cubismo

(FUVEST/2006)

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.
(Alberto Caeiro, "Poesia".)

Considerando-se este poema no contexto das tendências dominantes da poesia de Caeiro, pode-se afirmar que, neste texto, o afastamento da festa de São João é

  • oportunidade de manifestar seu desapreço pelas festividades que mesclam indevidamente o sagrado e o profano.
  • ânsia de integração em uma sociedade que o rejeita por causa de sua excentricidade e estranheza.
  • uma ocasião de criticar a persistência de costumes tradicionais, remanescentes no Portugal do Modernismo.
  • frustração, uma vez que não experimenta as emoções profundas nem as reflexões filosóficas que tanto aprecia.
  • reconhecimento de que só tem realidade efetiva o que corresponde à experiência dos próprios sentidos. x
Bibliografia
  • CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Literatura – história & texto – vol 3. 8.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

Ana Gabriela Figueiredo Perez

Estudos Literários - Unicamp

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