Sistema Genital Feminino

O sistema genital (ou reprodutor) feminino, comparado ao masculino, é anatomicamente mais simples, entretanto fisiologicamente mais complexo, pois trata-se de um sistema hormonalmente intrincado.

A anatomia do sistema genital feminino consiste em dois ovários, duas tubas uterinas, útero, vagina e genitália externa. Diferente do masculino, esse sistema não só tem a função de produzir gametas, como também abrigar os nove meses de gestação do embrião.

Sistema genital femininoO sistema genital feminino contém dois ovários, duas tubas uterinas, útero, vagina e genitália externa.O sistema genital feminino contém dois ovários, duas tubas uterinas, útero, vagina e genitália externa.

A mulher possui dois grandes marcos na vida reprodutiva, trata-se da menarca, ou seja, a primeira menstruação, provando o início da idade adulta para a reprodução, e a menopausa, o fim da idade reprodutiva. Entre a menarca e a menopausa, a mulher está apta a engravidar e gerar descendentes aptos a sobreviverem.

Os ovários são os locais onde haverá a produção de gametas e de hormônios. Entretanto, esses eventos são um pouco mais complexos, e terão que ser abordados com cautela.

Produção de gametas

O início da produção de gametas começa logo na vida intra-útero. Nesse período as células germinativas primordiais se diferenciaram e darão origem as ovogônias, ao final desse processo, é comum ter mais de 7 milhões de ovogônias imaturas ainda no 5° mês de gestação.

As ovogônias entram em meiose, entretanto param na subfase diplóteno da prófase I e param de progredir, nessa fase elas são conhecidas como ovócitos primários. Antes de terminar a gestação, alguns ovócitos primários sofrem atresia (“morrem”), dessa forma, para a vida reprodutiva, sobra um pouco mais de 300 mil ovócitos.

Esses ovócitos primários, quando estimulados por hormônios da puberdade, reiniciam o processo de meiose, dando origem ao ovócito secundário. Uma coisa interessante de se notar é que nessa última divisão, o citoplasma se divide de maneira desigual, ou seja, há mais citoplasma para uma das células (ovócito secundário) e menos citoplasma para a outra célula (1° corpúsculo polar), o qual sofre atresia. Logo, esse marca o fim da meiose I.

A meiose II ainda é de grande mistério para a ciência, uma vez que ela ocorre durante a fecundação. Dessa forma, tiramos as seguintes conclusões:

  • O gameta feminino fecundado pelo espermatozóide é o ovócito secundário;
  • O óvulo é o gameta funcional resultante da meiose II, ou seja, tem um curto período de existência;
  • Na meiose II, além da formação do óvulo, prontamente fecundado pelo espermatozóides, há a formação de um outro corpúsculo polar, agora, 2° corpúsculo polar.

O envelhecimento de gametas

Até agora vimos a produção de gametas femininos, porém o que temos que ressaltar é a idade desses gametas. Mulheres de 20 anos possuem gametas com 20; mulheres de 40 anos possuem gametas de 40 anos, e assim por diante. Isso ocorre, uma vez que o início da formação de gametas ocorreu na vida intra-útero e seu término só ocorreu um longo período depois, na idade reprodutiva.

O envelhecimento de gametas pode se acompanhado por erros gênicos, erros no reinicio da meiose e assim por diante. Dessa forma, é muito mais comum síndromes em crianças cujas mães têm uma idade avançada, como é o caso da síndrome de Down. Observe a taxa de acometimento dessa síndrome pela idade materna:

Risco sindrome de Down X Idade materna

No meio de tantas células destinadas a produção de gametas, encontramos, também no ovário, as células intersticiais. Essas células são responsáveis pela produção de hormônios, tais como estrógeno e progesterona. Essa síntese hormonal ocorre em momentos e com estímulos específicos, uma vez que para produzir esses hormônios é necessária uma diferenciação celular.

Os estímulos para a produção de estrógeno e progesterona ocorrem em função das taxas de LH e FSH. Observe o esquema hormonal:

Esquema hormonalO esquema mostra como as taxas de LH e FSH influenciam na produção de estrógeno e progesterona.O esquema mostra como as taxas de LH e FSH influenciam na produção de estrógeno e progesterona.

Tuba uterina

As tubas uterinas serão essenciais para o deslocamento do ovócito secundário do ovário até o útero. Além disso, uma coisa importante é que a fecundação ocorre na tuba uterina, em uma região denominada ampola. Mesmo fecundado, o zigoto continua sua jornada pela tuba até o útero, onde ele terá células suficientes para se implantar ao endométrio do útero. Caso a fecundação não ocorra na ampola, é bem provável que o zigoto não tenha o número de células suficientes para se implantar ao endométrio, levando a um aborto espontâneo.

Gravidez ectópica

Muitas pessoas já ouviram falar em gravidez ectópica. Neste caso, trata-se de um zigoto que se implantou na própria tuba uterina por um erro das células que formam a tuba uterina e/ou um erro no deslocamento do zigoto até o útero. Em casos como este, a intervenção médica é essencial, uma vez que a gravidez ectópica é inviável, tanto para mãe quanto para o feto.

Útero

O útero, como já dito, será o local de implantação do zigoto. Além disso, essa estrutura é formada por três camadas, o endométrio, onde ocorrerá a implantação do zigoto, o miométrio, camada muscular do útero, responsável pelas contrações durante o parto, e a adventícia, nada mais é que um recobrimento do órgão.

Vagina

Em continuidade com o útero, teremos a vagina, local onde será acomodado o pênis durante o coito. Essa estrutura é altamente irrigada, muscular e um tecido de revestimento bem desenvolvido, para controlar as inúmeras infecções que podem ocorrer nessa região e que podem causar prejuízos a fecundação ou a manutenção do feto.

Da vagina teremos a abertura para a genitália externa, formada pelos grandes lábios, pequenos lábios e clitóris – região de grande densidade de terminações nervosas que contribuem para o orgasmo feminino. Além disso, é na região da genitália externa que teremos a abertura da uretra feminina, que nesse caso, terá como única função a micção.

Bibliografia
  • Guyton e Hall. Tratado da fisiologia médica (11° Ed.)
  • Keith L. Moore. Anatomia orientada para a clínica (5° Ed.)
  • Kenneth P. Moses. Atlas fotográfico de anatomia clínica (1° Ed.)
  • Luiz C. Junqueira. Histologia Básica (11° Ed.)
  • Kumar. Robbins & Cotran: Patologia, bases patológicas das doenças (8° Ed.)
Créditos das imagens

Rodrigo de Andrade Natal

Medicina - Unicamp

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